O SOM E A MÚSICA – Alberto da Hora

O SOM E A MÚSICA – Quando criança e adolescente, pelo menos três canais foram responsáveis pelo meu interesse na música. As canções do Rádio, aquelas cantadas pela minha mãe, e a música dos filmes. Não possuíamos vitrola ou qualquer outro meio para ouvir discos, então era assim que tínhamos acesso às músicas. Nos auditórios, […]

O ETERNO RETORNO – Alberto da Hora

O ETERNO RETORNO – O humorista João Claudio Moreno, entrevistado, declarou que tinha sido uma grande perda para ele a morte da sua mãe. Isto porque a presença dela na sua vida representava a possibilidade de ter sempre um lugar para onde voltar; diante das lutas, do trabalho, das cotidianas e estafantes ocupações, o colo […]

MEMÓRIAS FOTOGRÁFICAS – Alberto da Hora

MEMÓRIAS FOTOGRÁFICAS –  Meu grande amigo César Medeiros vem mantendo um hábito constante e sagrado de me enviar fotografias de Natal, registradas em tempos mais provincianos, amenos e até mais românticos. Outros amigos também o mesmo, talvez conhecendo o meu interesse e carinho pelas coisas “antigas” da minha cidade. É um exercício agradável e repousante, […]

TESOUROS ESCONDIDOS – Alberto da Hora

TESOUROS ESCONDIDOS –  Vez por outra, a nossa dependência dos smartphones e das atraentes imagens televisivas é desviada para nossas estantes e prateleiras, onde repousam, esquecidos e quase sem utilidade, nossos livros, discos e lembranças registradas em fotografias ou em amadoras gravações e filmagens. Aí, então, nos damos conta de que temos à nossa disposição […]

O PALCO DA MELHOR IDADE – Alberto da Hora

O PALCO DA MELHOR IDADE – A cena é comum e ocorre, mais ou menos, a cada quinze dias. Visito a farmácia da minha preferência e saio de lá com um verdadeiro pacote, uma “feira” de remédios. Os clientes da compra somos eu e a minha mulher, ambos portadores de comorbidades e necessidades próprias de […]

O PODER DO CINEMA – Alberto da Hora

O PODER DO CINEMA – Depois de três anos e meio afastado, voltei a uma sala de cinema. Já havia programado o retorno há vários meses, porém pequenos afazeres e grandes preguiças me impediram de realizar o projeto; a programação também não ajudou muito, embora as salas tenham exibido alguns bons e celebrados títulos, detentores […]

DEU NA RÁDIO, SAIU NO JORNAL – Alberto da Hora

DEU NA RÁDIO, SAIU NO JORNAL – Nas minhas adolescência e juventude, o jornal e o rádio exerciam grande influência na população, por serem os veículos mais comuns e mais acessíveis. As tradicionais revistas semanais também gozavam de bastante credibilidade, embora nem todos tivessem condições de comprá-las.  Assim, o que fosse noticiado e comentado nesses […]

TRISTES OLHARES – Alberto da Hora

TRISTES OLHARES –  No meu percurso diário até a escola do meu neto, faço sempre o mesmo caminho. Em um dos dois sinais luminosos que encontro, vejo, quase todos os dias, duas meninas, aparentemente irmãs, que vendem doces populares e panos de prato. Algumas vezes, estão acompanhadas de uma moça, uma jovem, que parece ser […]

O CHEIRO DO PASSADO – Alberto da Hora

O CHEIRO DO PASSADO – Sempre fui comedido e discreto com a minha apresentação. Desde jovem, optei por vestir-me de maneira simples e comum, talvez para não despertar sobre a minha pessoa atenções e curiosidades que, em virtude da minha timidez, pudessem me causar insegurança. Com os sabonetes e perfumes também foi – e ainda […]

FILMES DE CABECEIRA – Alberto da Hora

FILMES DE CABECEIRA – Tenho um amigo cinéfilo que, dos filmes da sua preferência, alega ter visto um em especial, protagonizado pelo seu ator preferido, mais ou menos oitenta vezes. Eu o conheço suficientemente bem para acreditar na façanha, lembrando que o filme mais assistido por mim foi merecedor de pouco mais de vinte audições. […]

AIPIM É MACAXEIRA – Alberto da Hora

AIPIM É MACAXEIRA –  A convite de um amigo, visitei há alguns anos, aqui em Natal, a casa de um senhor do Rio de Janeiro que, entre outros assuntos, fez referências à culinária nordestina. Com elogios a alguns pratos tradicionais, como a tapioca, o cuscuz e, naturalmente, a carne-de-sol, também criticou negativamente alguns hábitos da […]

AIPIM É MACAXEIRA – Alberto da Hora

AIPIM É MACAXEIRA – A convite de um amigo, visitei há alguns anos, aqui em Natal, a casa de um senhor do Rio de Janeiro que, entre outros assuntos, fez referências à culinária nordestina. Com elogios a alguns pratos tradicionais, como a tapioca, o cuscuz e, naturalmente, a carne-de-sol, também criticou negativamente alguns hábitos da […]

O PASSADO MORA AO LADO – Alberto da Hora

O PASSADO MORA AO LADO – “Em geral, os acontecimentos da existência infantil não deixam sobre a humanidade, chegada à idade madura, uma impressão bem definida. Tudo é sombra, cinza, débil e irregular recordação, confusão de fracos prazeres e desgostos fantasmagóricos. Comigo isso não aconteceu. Devo ter sentido em minha infância, com a energia de […]

PEQUENOS PECADOS – Alberto da Hora

PEQUENOS PECADOS – Na minha primeira e única visita ao estádio do Maracanã, em 1987, assisti, com tristeza, o Flamengo ser derrotado pelo Vasco, na final do campeonato carioca. Porém, outras decepções me assaltaram naquele domingo insólito. Espectador nordestino, acostumado com os pequenos eventos e ocorrências das nossas praças esportivas, fui testemunha do violento e […]

SOB A LEI DA CHIBATA – Alberto da Hora

SOB A LEI DA CHIBATA – No cabedal das experiências sociais, reinou absoluto o costume de se castigar e espancar os filhos, hábito exercido como um direito dos pais, respaldado pela recomendação salomônica: “Quem ama o filho, não lhe poupa a vara”, ou seja, o castigo corporal é parte integrante do zelo paterno, sendo, portanto, […]

FORTUNA PRA QUE TE QUERO – Alberto da Hora

FORTUNA PRA QUE TE QUERO – As campanhas de apelo por ajuda humanitária às populações carentes do mundo veiculadas na televisão causam na minha pessoa um misto de tristeza e indignação. A tristeza é provocada por um sentimento de extrema compaixão, e a indignação é reforçada por uma revolta impotente, por saber e entender que […]

EM NOME DOS ANIMAIS – Alberto da Hora

EM NOME DOS ANIMAIS – Já faz bastante tempo que os números de circo envolvendo animais foram – ou estão sendo – banidos do rol das atrações circenses. É uma iniciativa importante, incentivada pelas instituições de defesa dos irracionais, que historicamente sempre foram objeto da exploração, por todos os meios, das possibilidades de sua utilização. […]

UM LIVRO EM NOSSA VIDA – Alberto da Hora

UM LIVRO EM NOSSA VIDA – Adquirido em um aplicativo de vendas virtuais, estou recebendo um exemplar usado e antigo do livro Programa de Admissão ao Ginásio, dos anos 1950/1960, para ocupar o lugar do exemplar original há muito tempo perdido e chorado, desde o tempo em que a morte da minha mãe, a poucos […]

ILUSTRES DESCONHECIDOS – Alberto da Hora

ILUSTRES DESCONHECIDOS – Uma diversão dos tempos da adolescência e da juventude era, de passeio com os amigos, identificar na rua, principalmente no centro da cidade, as pessoas com as quais tínhamos relação de conhecimento e amizade, ou alguma personalidade que eventualmente podíamos encontrar circulando em público. Era uma disputa ingênua, vencida por aquele que […]

A POESIA NO CORDÃO – Alberto da Hora

A POESIA NO CORDÃO –  Uma sentença de Carlos Drummond de Andrade afirma que Leandro Gomes de Barros “não foi o Príncipe dos Poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão do Brasil em estado puro”. E Arlindo Pereira de Almeida referia-se a Leandro como um pioneiro da poesia […]