DE ZORRA ZAMBEMBE – José Delfino

DE ZORRA ZAMBEMBE – Na prática, é difícil arquitetar o nosso próprio destino. Por acaso a gente vem, vê , e com muita persistência e alguma sorte, faz conquistas. Muitas variáveis fogem de controle. Viver a vida perigosamente não se quer, mas é inevitável. O presente é a incógnita que sempre se confunde e se […]
NOITE ADENTRO – José Delfino

NOITE ADENTRO – Depois de cessados o prazer e a tormenta das coisas distantes ou extintas, como objetos e utensílios que povoaram um dia os recantos da nossa casa; ou os entes queridos vivos ou mortos que aconteceram em nossas vidas; é normal a lembrança deles. O improvável (ou até impossível ) desejo de tornar […]
EM FUNÇÃO DO QUE ME DIZEM E QUE EU ACHO – José Delfino

EM FUNÇÃO DO QUE ME DIZEM E QUE EU ACHO – Não me admiro, ou esquento muito, com o que me vem à cabeça. Nem com a dúvida que vem junta. Me deparei, agora mesmo, pensando se realmente gosto de “esportes de massa”. Claro que gosto. Apesar de “esporte” ser um termo relativo e todo […]
DE PEQUENOS PECADOS – José Delfino

DE PEQUENOS PECADOS – A cada um os seus desejos. Questão só de imaginá-los. O que me parece essencial para dar ânimo à vida. O princípio basilar da ética da convicção, se é que isto existe. Max Weber e Hegel já tocaram no assunto. Não vou dissecar o tema por simples e mera incompetência. É […]
DE QUARTAS DE FINAL – José Delfino

DE QUARTAS DE FINAL – Escrever um conto parece ser fácil. Quem lê, nem adivinha a dificuldade. Nem o efeito das circunstâncias ao redor dele. Fui pro editor de texto com o argumento na cabeça já bem estruturado, LIGEIRA PAUSA PRA ARRUMAR A IDEIA, e comecei a digitar: “Fazia um calor dos diabos. Mal abri […]
EU, VASCO MOSCOSO DO ARAGÃO – José Delfino

EU, VASCO MOSCOSO DO ARAGÃO – Voltei à Grã-Bretanha, país onde vivi uma diminuta parte da minha vida. Agora, numa excursão “carneirinho”, compatível com a minha idade. Dessas programadas de antemão nos mínimos detalhes restando ao usuário só concordar com o que vai dizer o guia, mas nem sempre (por mais erudito que ele possa […]
DE TENTATIVAS VÃS – José Delfino

DE TENTATIVAS VÃS – Tudo o que se escreve já foi escrito. Singular só a interpretação de quem lê a partir da forma como se vê o tema de novo exposto. Às vezes a abordagem é dolorosa e pungente e, apesar de pouco ter o que atenue ou suavize a sua intensidade e crueza, comove. […]
CONVERSA PRA ENCHER LINGUIÇA – José Delfino

CONVERSA PRA ENCHER LINGUIÇA – Gosto muito do bate-papo dos dedos, nas linhas do tempo dos computadores caseiros. Não me refiro àqueles em que o cara provoca, e você acontece estar plugado e as argumentações vão e voltam quase ao mesmo tempo; às vezes, de forma não tão polida ou educada, mas àqueles que passam […]
DA SORTE EM ESSÊNCIA – José Delfino

DA SORTE EM ESSÊNCIA – Cada um sabe de si e onde o seu sapato aperta. Eu pretendia, acho, talvez, vir a ser um violonista clássico. Viver toda a minha vida com aquelas curvas femininas repousando em meus braços encantando o mundo afora a espantar, em vã tentativa, os demônios do meu dia-dia-dia em recitais […]
AS PARALELAS DO TEMPO – José Delfino

AS PARALELAS DO TEMPO – Coisas como o dólar paralelo (que quando dou uma de turista, me faz sofrer), as conversas paralelas (que eu já nem ligo, de tão acostumado estou a elas), os universos paralelos (para onde a mente viaja quando leio livros ou vejo filmes de ficção científica), as escolas paralelas onde são […]
PROPENSO, PENSO, TORTO, E PENSO – José Delfino

PROPENSO, PENSO, TORTO, E PENSO – As sete artes do mundo transcendem. E se espelham em dois pressupostos. Em duas conjeturas necessárias uma à existência da outra, me parece. Da arte que vem da obra e da graça da Mãe Natureza, que emociona com sua estética em forma de forma em si mesma, de […]
BALANÇO DE UM DOMINGO DE CARNAVAL – José Delfino

BALANÇO DE UM DOMINGO DE CARNAVAL – Tenho dificuldade em escrever sobre temas que me agradam um tanto, mas que poderiam ferir a sensibilidade dos outros. Mais exatamente, por conta da maioria nunca por em prática, nem discutir abertamente acerca deles, por razões que não vão ao caso agora discutir. Apetece-me seguir a orientação de […]
MOMICES – José Delfino

MOMICES – Hoje vou deixar para os outros o trabalho de escrever sobre coisas aborrecidas da vida. É que ele se aproxima e o país vai parar mais uma vez. Mais do que já está. Este simples afazer continuado do prazer humano. Ah, o carnaval!! A alegria de um exercício um tanto sedentário, às vezes […]
DE RACIOCÍNIO PERIFÉRICO – José Delfino

DE RACIOCÍNIO PERIFÉRICO – Pense num cara racional o tal do Sartre. Dizia ele que como um objeto está obrigado a existir segundo as quatro dimensões, também uma intenção, um prazer, uma dor, não poderiam existir exceto como a consciência imediata de nós mesmos. “Óbvio”, poderia você dizer, “eu também penso da mesma forma”. Acontece […]
DA LINGUAGEM OCULTA DO SOM – José Delfino

DA LINGUAGEM OCULTA DO SOM – É difícil intervir no gosto de cada um com explicações técnicas porque a orelha me parece ser o mais reacionário dos órgãos sinestésicos. Mas é que um som harmônico, rimado, articulado, propositalmente construído para criar determinados e preconcebidos efeitos nas pessoas tem os seus macetes de construção. Até […]
MARCO POLO EM FIM DE ANO – José Delfino

MARCO POLO EM FIM DE ANO – As viagens só se completam quando podem ser contadas a alguém. Feitos os orgasmos masculinos da terceira idade, quando o bom mesmo é espalhar o feito, pois na maioria das vezes, velho não goza, tem susto, isto sim. Quase já sem jet lag, longe dos shoppings (algo inevitável […]
DE RATOS E HOMENS – José Delfino

DE RATOS E HOMENS – Um leve rangido soou quando o bedel abriu a porta. O quarto em penumbra era amplo e aquecido. Nele três celas justapostas. Colado à parede, ao fundo de uma delas, o vi sentado ao chão. Fisicamente prostrado, os olhos fixos e quase mortos como se alguém mirando, vagamente, o infinito […]
A SANGUE-FRIO

A SANGUE-FRIO Como o clarão do punhal que no ar se espraia E raia o corpo no quintal da dor onde me curvo Desenham-se as espessas gotas dessa rubra arte Que faz o infinito tempo só fechar suas pálpebras E encerrar bem no turvo do enigma as álgebras Do corpo úmido de suor que […]
DO EU ORAL – José Delfino

DO EU ORAL – Talvez eu seja um cara complicado. O diagnóstico certo não pintou, ainda. Em meio a toda essa confusão, bem no olho do furacão, que dia desses eu soube do detalhe meteorológico que nele não tem vento algum, me chega a impressão que não se deveria ligar nem impor nada a ninguém. […]
FOGUEIRA DA VAIDADE – José Delfino

FOGUEIRA DA VAIDADE – Depois de uma noite dividida entre temor e angústia, palavras que, parece, já nasceram emparelhadas, o barulho ensurdecedor das águas de março caindo nos telhados, que incomoda muito os que moram em Natal acostumados a mudos e diuturnos raios de sol, me acordou antes do despertador. Os pardais longe ainda estavam […]