A FELICIDADE – Violante Pimentel

A FELICIDADE – Josimar, um marceneiro pobre, de uma cidade do interior nordestino, trabalhava o dia todo, para sustentar a mulher e os seis filhos. Conformado com a pobreza em que vivia, o casal era muito feliz e a família harmoniosa. À noite, todos se sentavam na calçada, e Josimar dedilhava a viola, herdada do […]
O MISTÉRIO – Violante Pimentel

O MISTÉRIO – Na noite de Natal, os pobres se sentem mais pobres e mais tristes, do que em qualquer outra data. Aqueles que não tem um teto para morar ou um pão para comer, esperam sempre um milagre. Sonham com mesa farta e moradia, onde possam se abrigar contra a chuva, o sol e […]
A “ARMA” – Violante Pimentel

A “ARMA” – Seu Lúcio, trabalhador rural, era aposentado pelo INSS e residia num bairro simples de uma pequena cidade do interior nordestino. Todo começo de mês, ia à agência bancária pagadora, receber o dinheiro do seu “aposento”, como ele costumava chamar. Mal sabia ler e escrever, mas acompanhava os noticiários da televisão. Por isso, […]
OS GATOS – Violante Pimentel

OS GATOS – José Alpiniano, professor aposentado e escritor, era viúvo e tinha como companhia dois gatos de estimação, a quem muito mimava. Um deles era da raça Angorá, preto retinto, porte elegante e pelo longo e sedoso. Chamava-se Koruga. Tinha ares de soberano e passeava por todos os lugares da casa, dormindo nas […]
ZÉ BESTA – Violante Pimentel

ZÉ BESTA – Jonas era um homem muito bom, que residia numa cidade do interior nordestino. Ele e Nalva, sua esposa, mal sabiam ler e escrever. Entretanto, faziam questão de que os três filhos estudassem no melhor colégio da cidade.Tinham uma pequena propriedade rural, onde cultivavam, entre outros produtos, feijão, milho, mandioca, macaxeira, inhame […]
A FAMA – Violante Pimentel

A FAMA – Jerson sempre foi uma criança tímida. Apanhava dos coleguinhas e, mesmo instigado pelos pais, não tinha coragem de reagir. Não levava jeito para esportes, que exigissem esforço físico. Gostava de futebol, mas se fosse jogo de botão ou totó. Os pais eram católicos e o acostumaram a frequentar a Igreja aos domingos. […]
O SONO – Violante Pimentel

O SONO – Durante a Segunda Guerra Mundial (1942 a 1945), Natal abrigou tropas norte-americanas. Para esse apoio, na capital potiguar, foi instalada uma base militar dos Estados Unidos. A escolha de Natal se deu em decorrência da sua posição geográfica privilegiada, facilitando deslocamentos para os continentes africano e europeu. No auge da II Guerra, […]
A TINTA – Violante Pimentel

A TINTA – Seu João Bento vendia madeira (caibros e linhas) e residia no mesmo local onde trabalhava, numa cidade do interior nordestino. Todos os dias, ia à bodega de Dona Luíza, vizinha à sua casa, e tomava algumas bicadas de cachaça. Certo dia, comprou um galão de tinta, para pintar a frente da […]
A CASA E O BOTÃO – Violante Pimentel

A CASA E O BOTÃO – Matilde, 23 anos, vitalidade de 16 e juízo de um pinto com um dia de nascido, era alta, bonita, exuberante, seios e quadris avantajados. Depois de passar dois anos no Rio de Janeiro, voltou para Natal muito traquejada. Leviana e coquete, todo namorado que arranjava, só queria mesmo se […]
O CARIDOSO – Violante Pimentel

Dois mendigos pediram uma esmola a um empresário rico, que ia entrando na sua camionete “cabine dupla”. O homem os surpreendeu, ao convidá-los para entrar no carro e ir com ele até sua casa. Lá, eles almoçariam e receberiam uma ajuda, inclusive com roupas usadas. Perguntou se os dois estavam com fome e eles responderam […]
A CACHAÇA – Violante Pimentel

A cachaça, ou aguardente de cana de açúcar, está integrada à cultura brasileira, assim como o futebol, o samba, o café e o fumo. Aparece em músicas, anedotas, textos literários e literatura de cordel. No começo da colonização do Brasil, a partir de 1530, a produção açucareira apareceu como primeiro grande empreendimento de exploração. Afinal, […]
A CAIXA D’ÁGUA – Violante Pimentel

Anos atrás, em Serrana, cidade do interior nordestino, o prefeito João Tanajura se celebrizou pelas gafes constantemente cometidas. O homem mal sabia ler e escrever. Os vereadores, conhecidos por apelidos como Zé do Toucinho, Antônio do Carvão, José da Telha e outros, não ficavam atrás. A situação era de fazer vergonha. O prefeito, que era […]
O CAIXA – Violante Pimentel

Josildo era escriturário do Banco do Brasil, em Natal, e exercia a atividade de caixa executivo. Década de 60/70. Nesse tempo, ainda não havia caixa eletrônico. Os caixas eram sobrecarregados, e o trabalho requeria muita atenção. Ali, na “boca do caixa”, concentravam-se os serviços bancários mais comuns. Informavam-se saldos e extratos, recebiam-se depósitos, e pagamentos, […]
A BEBEDEIRA – Violante Pimentel

Há boêmios que só tomam cerveja e teimam em dizer que “não bebem nada”. Justificam seu gosto acentuado pelo álcool, dizendo-se apenas “cervejeiros”. A cerveja, uma das bebidas alcoólicas mais consumidas no mundo, sempre foi homenageada em músicas, como nos seguintes casos: “Barril de Chopp” (Altamiro Carrilho) “Louras Geladas” (RPM), “Chuva, Suor e Cerveja” (Caetano […]
O RETORNO – Violante Pimentel

O RETORNO – Nailde era servidora pública de nível médio, em um órgão estadual. Já com mais de vinte anos de serviço, ganhava o suficiente para se sustentar. Era solteira e morava só. Muito organizada, não contraía dívidas e juntava sempre algum dinheiro num mealheiro. Depois, abriu uma caderneta de poupança e passou a economizar […]
ESQUINA DOS AMIGOS – Violante Pimentel

Venâncio e Zélia começaram a vida de casados em Natal, abrindo uma pequena cantina, na parte inferior do sobrado de esquina, onde passaram a residir. A rua era calma e o bairro, um dos melhores da cidade. O casal teve dois filhos. Na cantina, eram vendidos produtos simples, como manteiga, óleo, biscoitos, chocolates, refrigerante […]
A ASSOMBRAÇÃO – Violante Pimentel

Anos atrás, Mariana, uma moça que fazia serviços domésticos na casa de Dona Lia, em Nova-Cruz, era muito medrosa. Cheia de pantim, tinha medo do escuro e de almas penadas. Nessa época, na cidade não havia luz elétrica. A casa era iluminada com candeeiros e lamparinas, a querosene. Ainda não havia fogão a gás, e […]
O GÁS – Violante Pimentel

Historicamente, o querosene foi o primeiro derivado do petróleo de valor comercial, que substituiu o azeite e o óleo de baleia na iluminação. Os usos mais comuns do querosene são na iluminação, o solvente e como combustível para aviões. No interior nordestino, o querosene também é chamado de gás. O imortal compositor Luiz Gonzaga compôs um coco com o título “Derramaro o […]
O SONHO – Violante Pimentel

Em toda cidade do interior nordestino, sempre houve pessoas engraçadas ou esquisitas, que, com o tempo, passavam a fazer parte do folclore local. Eram bêbados de cana dormida, homens e mulheres viciados no jogo do bicho, cornos mansos e convencidos, para os quais as esposas eram umas santas, “mulheres da vida”, que não aguentavam […]
A REDE – Violante Pimentel

A REDE – Décadas atrás, Dr. Calvino, um conceituado dentista de uma cidade do interior nordestino, resolveu se mudar para Natal, com esposa e filho. Queria que o menino estudasse no Colégio Salesiano. Feita a mudança, a família foi morar em uma excelente casa, num bairro nobre de Natal. Para trabalhar, o dentista alugou duas […]