O SONO – Violante Pimentel

O SONO – Durante a Segunda Guerra Mundial (1942 a 1945), Natal abrigou tropas norte-americanas. Para esse apoio, na capital potiguar, foi instalada uma base militar dos Estados Unidos. A escolha de Natal se deu em decorrência da sua posição geográfica privilegiada, facilitando deslocamentos para os continentes africano e europeu. No auge da II Guerra, […]
A TINTA – Violante Pimentel

A TINTA – Seu João Bento vendia madeira (caibros e linhas) e residia no mesmo local onde trabalhava, numa cidade do interior nordestino. Todos os dias, ia à bodega de Dona Luíza, vizinha à sua casa, e tomava algumas bicadas de cachaça. Certo dia, comprou um galão de tinta, para pintar a frente da […]
A CASA E O BOTÃO – Violante Pimentel

A CASA E O BOTÃO – Matilde, 23 anos, vitalidade de 16 e juízo de um pinto com um dia de nascido, era alta, bonita, exuberante, seios e quadris avantajados. Depois de passar dois anos no Rio de Janeiro, voltou para Natal muito traquejada. Leviana e coquete, todo namorado que arranjava, só queria mesmo se […]
O CARIDOSO – Violante Pimentel

Dois mendigos pediram uma esmola a um empresário rico, que ia entrando na sua camionete “cabine dupla”. O homem os surpreendeu, ao convidá-los para entrar no carro e ir com ele até sua casa. Lá, eles almoçariam e receberiam uma ajuda, inclusive com roupas usadas. Perguntou se os dois estavam com fome e eles responderam […]
A CACHAÇA – Violante Pimentel

A cachaça, ou aguardente de cana de açúcar, está integrada à cultura brasileira, assim como o futebol, o samba, o café e o fumo. Aparece em músicas, anedotas, textos literários e literatura de cordel. No começo da colonização do Brasil, a partir de 1530, a produção açucareira apareceu como primeiro grande empreendimento de exploração. Afinal, […]
A CAIXA D’ÁGUA – Violante Pimentel

Anos atrás, em Serrana, cidade do interior nordestino, o prefeito João Tanajura se celebrizou pelas gafes constantemente cometidas. O homem mal sabia ler e escrever. Os vereadores, conhecidos por apelidos como Zé do Toucinho, Antônio do Carvão, José da Telha e outros, não ficavam atrás. A situação era de fazer vergonha. O prefeito, que era […]
O CAIXA – Violante Pimentel

Josildo era escriturário do Banco do Brasil, em Natal, e exercia a atividade de caixa executivo. Década de 60/70. Nesse tempo, ainda não havia caixa eletrônico. Os caixas eram sobrecarregados, e o trabalho requeria muita atenção. Ali, na “boca do caixa”, concentravam-se os serviços bancários mais comuns. Informavam-se saldos e extratos, recebiam-se depósitos, e pagamentos, […]
A BEBEDEIRA – Violante Pimentel

Há boêmios que só tomam cerveja e teimam em dizer que “não bebem nada”. Justificam seu gosto acentuado pelo álcool, dizendo-se apenas “cervejeiros”. A cerveja, uma das bebidas alcoólicas mais consumidas no mundo, sempre foi homenageada em músicas, como nos seguintes casos: “Barril de Chopp” (Altamiro Carrilho) “Louras Geladas” (RPM), “Chuva, Suor e Cerveja” (Caetano […]
O RETORNO – Violante Pimentel

O RETORNO – Nailde era servidora pública de nível médio, em um órgão estadual. Já com mais de vinte anos de serviço, ganhava o suficiente para se sustentar. Era solteira e morava só. Muito organizada, não contraía dívidas e juntava sempre algum dinheiro num mealheiro. Depois, abriu uma caderneta de poupança e passou a economizar […]
ESQUINA DOS AMIGOS – Violante Pimentel

Venâncio e Zélia começaram a vida de casados em Natal, abrindo uma pequena cantina, na parte inferior do sobrado de esquina, onde passaram a residir. A rua era calma e o bairro, um dos melhores da cidade. O casal teve dois filhos. Na cantina, eram vendidos produtos simples, como manteiga, óleo, biscoitos, chocolates, refrigerante […]
A ASSOMBRAÇÃO – Violante Pimentel

Anos atrás, Mariana, uma moça que fazia serviços domésticos na casa de Dona Lia, em Nova-Cruz, era muito medrosa. Cheia de pantim, tinha medo do escuro e de almas penadas. Nessa época, na cidade não havia luz elétrica. A casa era iluminada com candeeiros e lamparinas, a querosene. Ainda não havia fogão a gás, e […]
O GÁS – Violante Pimentel

Historicamente, o querosene foi o primeiro derivado do petróleo de valor comercial, que substituiu o azeite e o óleo de baleia na iluminação. Os usos mais comuns do querosene são na iluminação, o solvente e como combustível para aviões. No interior nordestino, o querosene também é chamado de gás. O imortal compositor Luiz Gonzaga compôs um coco com o título “Derramaro o […]
O SONHO – Violante Pimentel

Em toda cidade do interior nordestino, sempre houve pessoas engraçadas ou esquisitas, que, com o tempo, passavam a fazer parte do folclore local. Eram bêbados de cana dormida, homens e mulheres viciados no jogo do bicho, cornos mansos e convencidos, para os quais as esposas eram umas santas, “mulheres da vida”, que não aguentavam […]
A REDE – Violante Pimentel

A REDE – Décadas atrás, Dr. Calvino, um conceituado dentista de uma cidade do interior nordestino, resolveu se mudar para Natal, com esposa e filho. Queria que o menino estudasse no Colégio Salesiano. Feita a mudança, a família foi morar em uma excelente casa, num bairro nobre de Natal. Para trabalhar, o dentista alugou duas […]
CASTANHINHA – Violante Pimentel

Anos atrás, numa cidade do interior nordestino, Margarida, empregada doméstica na casa de Dona Zélia, apareceu grávida. A patroa, solteirona juramentada e muito católica, ao ver a moça enjoada e com o ventre ligeiramente crescido, perguntou e obteve a confissão da gravidez. O autor da faceta era o namorado Josimar, conhecido por Castanhinha. Dona […]
O VIZINHO – Violante Pimentel

Anos atrás, em Natal (RN), Marisé, uma dona de casa exemplar, logo que acordou, falou para Zildo, seu marido, que não havia carne para o almoço. Na véspera, ele esquecera de comprar. Depois do café da manhã, Zildo se dirigiu ao mercado, já arrumado para entrar no trabalho às 8 horas. Disse à esposa […]
A DESAPARECIDA – Violante Pimentel

Décadas atrás, numa quarta-feira, o casal Nelson e Marina, residente em Natal, passou um grande susto. Ao voltar do trabalho no final da tarde, a casa estava às escuras e sem nada preparado para o jantar. Como de costume, Marina tinha deixado com a empregada Josefa o dinheiro do pão, e recomendado o que deveria […]
A DIRETORA – Violante Pimentel

Esse caso aconteceu numa cidade do interior nordestino, há várias décadas. Dona Malva, uma severa diretora de uma Escola particular, começou a ficar preocupada com a evasão de alunas adolescentes, durante o ano letivo. Quando a evasão atingiu o número de vinte alunas, a diretora enviou uma correspondência aos seus pais ou responsáveis, convidando-os para […]
A DENTADURA – Violante Pimentel

Gonçala e Matilde, duas irmãs solteironas, que moravam na mesma casa, em Natal, eram mal- humoradas e se agrediam muito. As duas já tinham dobrado o “cabo da boa esperança”, e estavam na casa dos setenta anos. À medida que o tempo ia passando e elas envelheciam, mais aumentava a mútua intolerância. Mas, no fundo […]
SAUDAÇÃO JUNINA – Violante Pimentel

Seu Francisco, dono de uma sortida venda em Nova-Cruz, também chamada de “Armazém de Secos e Molhados”, era muito sério e não gostava de piadas. Muito religioso, em casa não admitia que os cinco filhos falassem palavras chulas nem arengassem, principalmente nas horas de refeições. A bem da verdade, gostava que todos comessem em silêncio. […]