MUDANÇA DE HÁBITOS – Violante Pimentel

MUDANÇA DE HÁBITOS – Aposentada e viúva, Maria Rosa se habituou a ir com sua filha, todas as manhãs, à academia, e à tarde, dia sim, outro também, ao rodízio de shoppings. Depois do jantar, adotou o hábito de escrever no computador, ate meia noite, ou até o sono chegar. Nos finais de semana, ela […]

A INSATISFAÇÃO – Violante Pimentel

A INSATISFAÇÃO – Há pessoas insatisfeitas e mal-humoradas, que reclamam de tudo e de todos. Essas pessoas não poupam os ouvidos de ninguém e estão sempre apontando defeitos em alguém ou em alguma coisa. São pessoas irritadas, por natureza. Só se satisfazem, quando provocam alguém e forçam uma resposta contraditória, capaz de dar início a […]

SOBRE AS ONDAS – Violante Pimentel

SOBRE AS ONDAS –  O garoto Ítalo Ferreira, nascido e criado na praia de Baía Formosa (RN), município do litoral leste do Estado do Rio Grande do Norte, filho de Luiz Ferreira e Catiana Ferreira, desde os seis anos de idade, apaixonou-se pelo Surfe. Gostava de brincar com as ondas, e o mar povoava seus […]

MACARRÃO COM LOMBO – Violante Pimentel

MACARRÃO COM LOMBO –  Em Nova-Cruz (RN), onde nasci e me criei, durante a minha infância e juventude, não havia água encanada nem luz elétrica. No dia-a-dia, a carne consumida nas refeições era a carne-de sol, na época, chamada de “carne-seca.”  Somente às sextas-feiras, no açougue, havia carne verde (gado recém abatido). O preço da […]

PAIXÃO VIOLENTA – Violante Pimentel

PAIXÃO VIOLENTA – Dona de uma beleza escultural, Jorgete, 30 anos, abandonou o marido, pequeno comerciante, trabalhador e honrado, arrastada pela violência do coração. Apaixonou-se, perdidamente, por Vilton, um empresário riquíssimo, viúvo sem filhos, 50 anos, e ele por ela. E foram viver um grande amor, “longe desse insensato mundo”. O fato de ter abandonado […]

O MEDO – Violante Pimentel

O MEDO – Otávio Pires, coronel da reserva, era conhecido pela sua valentia e agressividade. Casado com Elza, uma das mulheres mais bonitas da cidade, e bem mais nova do que ele, tinha tanto medo de ser traído, que ameaçava qualquer homem que a olhasse com admiração. Ninguém se atrevia, sequer, a levantar os olhos […]

A CONSULTA – Violante Pimentel

A CONSULTA – Não há no mundo profissão mais valorizada e, ao mesmo tempo, mais sofrida do que a de médico. O anel de médico tem, como símbolo, duas cobras. Um médico muito brincalhão, dizia que esse símbolo tem um significado: “Se cura, cobra; e se mata, também cobra”. Segundo a mitologia grega, Asclépio é […]

A SORTE – Violante Pimentel

A SORTE –  Décadas atrás, numa cidade do interior nordestino, sem médico, Querubina, 58 anos, e, segundo as más línguas, pouco confiável, mandou chamar em sua casa o novo dono da farmácia, dizendo-se indisposta e com fortes dores no abdômen. Queria que o homem lhe indicasse um remédio. Seu marido, Venâncio, comerciante, estava viajando há […]

O REENCONTRO – Violante Pimentel

O REENCONTRO – Companheiros inseparáveis de infância e juventude, Antonino Luz e José Neves se separaram de repente, numa das encruzilhadas da vida. Os pais de Antonino foram morar no Rio de Janeiro, e nunca mais voltaram para a cidade do interior nordestino, onde sempre moraram. Nesse tempo, não havia Internet nem Celular, e, à […]

POR CAUSA DA CACHAÇA – Violante Pimentel

POR CAUSA DA CACHAÇA –  “Cada terra tem seu uso; cada roca tem seu fuso.” A cachaça, hóspede dos negros africanos, destronou todos os vinhos tomados costumeiramente. Cada povo tem sua bebida preferida. No Brasil, apesar de já ter sido muito discriminada, a cachaça concorre, hoje, com qualquer bebida tradicional. É tão popular, quanto o […]

ADÃO E EVA – Violante Pimentel

ADÃO E EVA – Useira e vezeira em perguntas inconvenientes, Cesarina se destacava, na sociedade em que vivia, pela curiosidade e impertinência de suas perguntas. Isso fazia com que seu submisso marido, Astrogildo, distinto professor de Português, se arrolhasse de vergonha. As rodas sociais, que ela frequentava se dissolviam, rapidamente, em virtude de suas conversas, […]

GIGOLÔ – Violante Pimentel

GIGOLÔ – Gigolô, vocábulo de etimologia francesa, é uma antiga denominação, atribuída a homens, que vivem às custas de mulheres, independentes financeiramente, ou sustentadas por maridos ricos ou amantes. Aceitam presentes caros e dinheiro dessas mulheres, e, em contrapartida, lhes prestam favores de alcova. Geralmente, são homens jovens e bem-apessoados; inimigos do trabalho, com invejável […]

A CONFISSÃO – Violante Pimentel

A CONFISSÃO – Chegou aos ouvidos do Padre Cipriano que a sua Paróquia, protegida por Nossa Senhora dos Aflitos, estava com a vizinhança “minada”, ou seja, comprometida, com a degeneração dos costumes. Por perto, agora, havia “casas de recurso”, ou cabarés. Uma vez por outra, algumas prostitutas apareciam na Igreja, distraindo os fiéis. A notícia […]

AS GATAS – Violante Pimentel

AS GATAS – Uma gata branca, da raça Angorá, com um olho verde e o outro azul, entrou em nossa casa, em Nova-Cruz (RN), por livre e espontânea vontade, e lá ficou. Bem acolhida pela minha mãe, recebeu o nome de Vélvete, Passou a fazer companhia a Verinha, outra gata branca, da mesma raça, que […]

OS LENÇÓIS – Violante Pimentel

OS LENÇÓIS – Na sua venda, que na verdade era um armazém de Secos e Molhados, Francisco, meu pai, vendia em grosso e a varejo. No grande depósito, entre diversas mercadorias, ele estocava açúcar da Usina “Estivas”, comprado em sacas de 60 quilos, feitas de tecido de algodão rústico. À medida que o açúcar ia […]

O BRINQUEDO – Violante Pimentel

O BRINQUEDO – Paulina, uma menina de 5 anos de idade, perde os pais e o seu cachorrinho de estimação, em um ataque aéreo sobre a França, quando fugiam de Paris, ocupada pelos nazistas, durante a Segunda Guerra. Ao se perder do grupo de refugiados, a órfã, completamente desvairada, vagando pelo campo e levando nos […]

VERDES VALES – Violante Pimentel

VERDES VALES – No começo do século XX, no pequeno vilarejo “Verdes Vales”, onde morava, Toni, um trabalhador de mina de carvão, agora com mais de cinquenta anos, em lágrimas, se preparava para deixar sua terra natal para sempre. Sentia-se decepcionado com a vida, pois todas as pessoas que conheceu e amou estavam mortas ou […]

“FAZER PINTO” – Violante Pimentel

“FAZER PINTO” –  Nasci e me criei em Nova-Cruz (RN) e sempre ouvi este termo, extraído da sabedoria popular, “fazer pinto”. Significava furto pequeno de dinheiro, quase sempre feito por filhos, que queriam comprar alguma coisa e os pais não concordavam. Quando os pais notavam que tinham sido lesados, os filhos eram punidos com carões […]

FARRAPO – Violante Pimentel

FARRAPO – Ele era um garoto órfão de pai e mãe, criado “como Deus criou batatas”. Praticamente, era mantido pela caridade pública. Seu almoço era um pedaço de pão, que alguém sempre lhe dava. Suas roupas eram verdadeiros farrapos, dados por alguma alma caridosa. Seu nome de batismo era João Batista, mas nem ele mesmo […]

LEMBRANÇAS DA MINHA INFÂNCIA E JUVENTUDE – Violante Pimentel

LEMBRANÇAS DA MINHA INFÂNCIA E JUVENTUDE – Todos os anos, quando chega a Semana Santa, sinto uma saudade imensa da minha infância e juventude em Nova-Cruz, que, para mim, será sempre a minha “aldeia”. A Nova-Cruz, de um tempo em que a maldade não tinha nascido, e quando a vida era um doce mel, com […]