UM NATALENSE ESQUECIDO –
Oscar Daniel Bezerra Schmidt ou Oscar Schmidt, o Mão Santa como ficou conhecido, nasceu em Natal, em 16 de fevereiro de 1958. Filho de um pai de ascendência alemã, militar da Marinha do Brasil, e de mãe potiguar do município de Parelhas/RN. Viveram no Rio Grande do Norte até 1970, quando a família se transferiu para Brasília.
Apesar de haver mudado da terra de origem com apenas 12 anos de idade, Oscar sempre reconheceu suas raízes potiguares e a influência da infância no Rio Grande do Norte na sua trajetória profissional. Uma de suas lembranças mais marcantes foi da época em que estudou no Colégio Salesiano São José, em Natal.
Em 2016, ao conduzir a tocha olímpica na cidade onde nasceu, Oscar se emocionou ao passar em frente ao Colégio Salesiano, no bairro Ribeira, reencontrando o local de sua infância. Ele classificou tal momento como um dos mais especiais de sua vida, destacando o orgulho de sua origem.
Aos 16 anos, Oscar mudou-se para São Paulo para jogar pelo infanto-juvenil do Palmeiras. Essa transferência marcou o início de sua carreira profissional de alto nível antes de se tornar um dos maiores nomes do basquete mundial. Diga-se de passagem, que a estatura (2,05m), a persistência e a gana pela perfeição foram seus aliados nessa jornada.
Títulos e recordes não lhes faltaram na carreira de jogador de basquete. Mesmo sem jogar na National Basketball Association (NBA), o nosso Oscar que se celebrizou como ala, tornou-se um dos maiores jogadores da história do basquete, admirado pela sua precisão como cestinha.
Ao longo de sua carreira profissional de 26 anos, obteve a maior pontuação da história dos Jogos Olímpicos de Verão, registrando 1.093 pontos. Com um total de 49.973 cestas encaçapadas tornou-se o maior pontuador da história do basquete. Esse recorde somente foi superado em 2024 pelo astro LeBron James.
Ao longo da carreira defendeu clubes como Palmeiras, Sírio, América-RJ e Juvecaserta, da Itália e outros tantos na Espanha e no Brasil. Em 1984, teve a chance de ingressar na NBA, mas desistiu da ideia porque a legislação vigente naquela época impedia seus jogadores de disputar competições internacionais.
Tal entrave o deixaria impossibilitado de disputar jogos pela Seleção Brasileira de Basquete, coisa inaceitável para Oscar. Graças a essa recusa ele liderou um dos maiores feitos da história do basquete mundial, quando derrotou a poderosa equipe norte-americana na final dos 10º Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, Estados Unidos.
Foram muitos os recordes batidos e inúmeras as honrarias recebidas, dentre as de maior destaque estão o Hall da Fama da Fiba (2010) e Hall da Fama do Basquete dos EUA (2013). Outra simpática evidência da bela trajetória de Oscar no basquete foi aposentarem a camisa 14 em clubes que ele defendeu. Eis alguns que assim procederam: Flamengo, Caserta (Itália), Pavia (Itália) e Unidade Vizinhança (Brasília).
Oscar Schmidt, em diferentes oportunidades, demonstrou o seu carinho por sua terra natal. Por essa razão, a capital do Rio Grande do Norte, não pode se omitir de homenagear esse notável e famoso natalense com o nome numa rua, num espaço esportivo ou, se estiver pedindo demais, numa modesta quadra de basquete.
José Narcelio Marques Sousa – Egenheiro civil
