UM BELO ROSTO DE MULHER – 

O mês de janeiro me foi carregado de notícias tristes pelo falecimento de alguns amigos, isto me levou a um recolhimento e meditar sobre a vida.

Uma manhã chuvosa, eu olhando o mar, os coqueiros em frente a minha casa e o sol teimando em mostrar a sua força e brilhar mais um dia, “brigava” com nuvens escuras que teimavam em impedir seu esplendor.

Resolvi descer até a beira mar, sentei perto das ondas, que para aliviar minha tristeza, algumas batiam nos meus pés, como quem diz “amigo sorria, a vida é bela.” Levantei a vista e vi um pequeno barco entre nuvens carregadas que anunciavam um temporal, entendi aquela visão como uma mensagem de Deus, querendo me mostrar que temos dificuldades no nosso caminho, mas, devemos saber enfrentá-las.

Mudei a visão para a Barreira do Inferno, notei que vinha uma pessoa solitária em minha direção, fiquei a observar a sua caminhada, vi que era uma mulher que caminha tranquilhamente.

Enquanto esperava a sua passagem, joguei algumas pedrinhas brancas no mar, para disfarçar o meu desejo de vê-la. Quando ela passa olhei de soslaio e vi um belo rosto de mulher, lutando para vencer os anos vividos.

Aquele rosto moreno corado, com belos olhos claros, uma mistura de castanho esverdeado, me levou a lembrança da minha infância. Lembrei-me da escolinha da nossa querida professora Maria Dourado onde na nossa inocência infanto – juvenil, estávamos começando a dar os “primeiros passos” para vida adulta.

Ela passou, deu-me um bom dia solitário e um tímido sorriso. Quis aproximar-me e perguntar o seu nome, mas a minha timidez não permitiu. Passei a acompanhá-la com os olhos e as lembranças ficando em minha mente.

Lembrei-me da Redinha, onde eu gostava de fazer serenatas pelas madrugadas boêmias, uma música cantada por Miltinho, cujos versos iniciais eram:

Era a saudade do passado.
Era um olhar em meu caminho…
agora sombra do passado,
é uma sombra de lado,
já não vivo sozinho…

Ela desapareceu.  Talvez não a veja mais, mas, ao contrário da letra, vi que as sombras do passado voltam, e por algum instante, se tornam presente.

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

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