TRAPIÁ, ONDE A GASTRONOMIA ENCONTRA A ALMA –
Existem restaurantes que simplesmente servem refeições. Outros merecem aplausos pela sofisticação dos pratos. E existem aqueles, mais raros, que ultrapassam tudo isso e se tornam verdadeiros templos da gastronomia.
É nesse último grupo que habita o Trapiá, situado entre Viçosa e Mar Vermelho, no coração verde de Alagoas. Ali, entre árvores, pássaros e os aromas que escapam da cozinha, Elias Vilela construiu muito mais que um restaurante: criou um lugar onde a comida parece guardar histórias.
No Trapiá, cada receita traz a marca do cuidado. A costela que chega à mesa depois de conversar longamente com o calor do forno; o camarão preparado com delicadeza; a carne de porco, o peixe e tantos outros sabores parecem carregar um pouco daquela terra. E, quando chegam as sobremesas, tem-se a impressão de que os antigos “manjares dos céus” resolveram descer à serra alagoana.
Mas talvez o principal ingrediente do Trapiá não esteja na cozinha: Chama-se Elias Vilela.
Elias recebe cada visitante com a naturalidade de quem abre a porta da própria casa. Sua cortesia não parece ensaiada, tampouco obedece aos manuais de atendimento. Nasce espontaneamente, no sorriso, no aperto de mão, na conversa demorada e no prazer evidente de fazer com que todos se sintam à vontade.
Sua voz aguda atravessa o ambiente e, por vezes, mistura-se ao canto dos pássaros que fizeram morada nas inúmeras árvores que emolduram o restaurante. Elias fala, explica, conta histórias. Faz questão de apresentar, um a um, os funcionários que trabalham ao seu lado, como se dissesse silenciosamente que nenhuma obra se constrói sozinha.
E seus olhos ganham brilho especial quando conduz os visitantes até o forno recém-inaugurado, concebido e construído por ele próprio. Talvez seja justamente esse o segredo do Trapiá. Há lugares em que se entra para matar a fome. Em outros, para apreciar a gastronomia. No Trapiá, entretanto, entra-se para viver uma experiência em que sabores, natureza e acolhimento se sentam juntos à mesa.
Entre Viçosa e Mar Vermelho, Elias Vilela fez do seu restaurante uma expressão da excelência da culinária artesanal de Alagoas. Porque existem pratos que alimentam o corpo. E existem lugares que, além disso, deixam sabor na memória.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
