A tela exibe o Índice Composto de Preços das Ações da Coreia (KOSPI) em uma sala de negociação do Hana Bank em Seul, Coreia do Sul, na quinta-feira, 5 de novembro de 2026. — Foto: Lee Jin-man/AP

Apesar do desempenho misto ds bolsas de Wall Street nesta sexta-feira (6), o forte tombo dos índices americanos na véspera se espalhou pelos mercados globais.

O movimento ocorre em meio às dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA), agravadas pelo temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas e acabe restringindo a expansão dos centaros de dados no país.

Enquanto os índices americanos operavam entre altas e baixas, as bolsas europeias tinham queda generalizada na sessão.

Perto das 12h, o Dow Jones caía 0,04%, enquanto o S&P 500 subia 0,61% e o Nasdaq Composite avançava 2,04%.

Já na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600, que reúne as principais empresas de 17 países europeus e serve como referência para o desempenho das bolsas da região, caía 1,39%.

Entre os demais índices acionários da região, o DAX, da Alemanha, caía 2,43% no mesmo horário, enquanto o CAC-40, da França, recuava 1,60% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 1,84%.

Na Ásia, as principais bolsas de valores fecharam em forte queda nesta sexta-feira, acompanhando o tombo de Wall Street.

Japão e Coreia do Sul registraram algumas das maiores perdas, próximas de 6% no fechamento. Na bolsa sul-coreana, o índice Kospi, que acompanha o desempenho das principais empresas do país, chegou a despencar 8,8% durante o pregão.

A queda acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos no mercado. Os negócios ficaram suspensos por 20 minutos. Após a retomada, o índice recuperou parte das perdas e fechou em queda de 6,02%.

Veja como fecharam as principais bolsas asiáticas:

  • Japão (Nikkei): queda de 5,96%, aos 57.434 pontos.
  • Coreia do Sul (Kospi): recuo de 6,02%, aos 5.059 pontos.
  • Taiwan (Taiex): baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos.
  • Cingapura (Straits Times): queda de 2,17%, aos 5.181 pontos.
  • Hong Kong (Hang Seng): recuo de 1,27%, aos 24.481 pontos.
  • China (Xangai): baixa de 1,10%, aos 3.649 pontos.
  • China (CSI 300): queda de 1,44%, aos 4.054 pontos.
  • Austrália (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 9.020 pontos.

 

Por que as bolsas estão caindo?

A onda de vendas começou em Wall Street. Na quinta-feira (5), o S&P 500, índice que reúne 500 das principais empresas americanas, teve o pior desempenho desde abril de 2025 — naquele mês, o presidente Donald Trump anunciou o “tarifaço”, como ficou conhecido o aumento de impostos sobre produtos importados.

Veja como fecharam os principais índices americanos:

  • S&P 500: queda de 4,4%, aos 7.353,73 pontos.
  • Dow Jones: recuo de 3,4%, aos 51.523,06 pontos.
  • Nasdaq: baixa de 5,5%, aos 24.315 pontos.

 

As perdas foram lideradas por empresas de tecnologia, em meio ao receio de que os investimentos bilionários em inteligência artificial não tragam o retorno esperado.

As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.

  • Os investidores também se preocupam com o alto custo de construção dos data centers, grandes instalações que concentram servidores e outros equipamentos necessários ao funcionamento de sistemas de IA. O temor é que esses projetos desacelerem e que as empresas ligadas ao setor estejam supervalorizadas, o que poderia levar a uma correção mais forte nas ações.

Outro fator de incerteza foram as eleições de meio de mandato nos EUA. A vitória dos democratas aumentou o temor de maior fiscalização e de restrições à construção dessas instalações, em meio às preocupações com seu elevado consumo de energia.

Entre as empresas mais afetadas na quinta-feira estão:

  • Nvidia: queda de 9,3%.
  • AMD: recuo de 17,3%.
  • CoreWeave: baixa de 9,8%.
  • GE Vernova: queda de 7,5%.

 

Com as perdas, o Nasdaq, que concentra grandes empresas de tecnologia, ficou 11,9% abaixo do recorde registrado no mês passado.

Uma queda superior a 10% em relação a um pico recente é chamada, no mercado financeiro, de “correção”.

Apesar da queda, bolsas chinesas têm alta na semana

Na China e em Hong Kong, as bolsas recuperaram parte das perdas ao longo do pregão, com investidores em busca de ações que haviam ficado mais baratas e diante das medidas de apoio ao mercado adotadas por Pequim.

Apesar das perdas desta sexta-feira, os principais índices da China e de Hong Kong encerraram a semana em alta:

  • CSI 300 (China): avanço de 1,7%.
  • Xangai (China): alta de 1,4%.
  • Hang Seng (Hong Kong): valorização de 5,1%.
  • Hang Seng Tech (Hong Kong): alta de 8,6%.

 

As empresas chinesas ligadas à inteligência artificial, porém, também foram pressionadas pela onda de vendas no setor nos Estados Unidos. A Zhongji Innolight caiu 9,2%, enquanto a Eoptolink Technology recuou 7,3%.

Segundo analistas, investidores na China acompanham de perto os sinais de uma possível bolha no setor de IA nos Estados Unidos, que poderia ter reflexos também sobre as empresas chinesas.

Fonte: G1

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