TATUAGEM –

Nosso caçula decidiu fazer uma tatuagem. Eu também! Mas, ao longo dos últimos anos, já escolhi mil tattoos diferentes e desisti de todas elas. Dessa vez seria diferente? Achei, como uma pessoa inexperiente, que seria escolher o desenho, o local do corpo e só. O que mais teria para decidir? O difícil seria continuar com o plano…

Foi quando o nosso mais velho falou da preocupação com o traço, com o mapa da dor para escolher um local que não doesse tanto, com a experiência do tatuador. Ele procurou referências e me mostrou as diferenças, enquanto eu, particularmente, pensava na biossegurança e no medo de desistir no meio do caminho e ficar com um rabisco disforme no corpo.

Então, em menos de uma semana após o caçula mostrar a convicção de sua decisão, lá estávamos nós, em meio a um estúdio de tatuagem, conversando sobre nossas decisões e discutindo os tamanhos do que estaria em nossos corpos.

Ele foi primeiro. Isso me deu uma segurança imensa. Vi o rosto dele se iluminando ao acompanhar seu corpo sendo registrado pelo desenho que escolheu. Ficou lindo!

Logo depois foi minha vez. A boca ficou seca. Titubeei por alguns segundos e o vi me olhando com aquela serenidade que nos enche de amor e apoio, dizendo silenciosamente “vai!”.

E fui! Hoje no meu braço tem o título de um artigo escrito por Freud que eu revisito algumas vezes. Recordar, repetir, elaborar. Penso na Bárbara de alguns anos atrás e na Bárbara de hoje e compreendo que essa tatuagem vai além do significado do artigo escolhido, vai além do traçado feito.

Essa tatuagem fala de liberdade, de maturidade, de reencontro.

Um reencontro comigo mesma.

 

Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, Autora de “O diário de uma gordinha” e Escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores

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