SORRISO É A PALAVRA EM SILÊNCIO –
Outro dia, em evento realizado na sede da Academia Alagoana de Letras, o imortal Ricardo Nogueira, diante de auditório repleto como de costume, proferiu instigante palestra sobre “a importância da comunicação”, quando diversas reflexões foram compartilhadas.
Uma, em especial, ecoou de maneira mais profunda: a afirmação do Papa Francisco de que “o sorriso é a palavra em silêncio”, e desde então esta frase não me abandona, porque o riso, quando nasce verdadeiro, dispensa voz, ignora idiomas, atravessa fronteiras. Ele não se escreve, floresce. Não se explica, revela-se. É claridade súbita no rosto humano, como quem acende uma lâmpada na penumbra do existir
Mais do que expressão facial, o sorriso sincero é um ato de generosidade, pois beneficia não apenas quem o oferece, mas também quem o recebe. Há, nesse gesto, uma espécie de corrente invisível que ilumina ambientes, ameniza tensões e semeia esperança. É como se, ao sorrir, disséssemos ao outro, sem palavras, que há motivos para seguir, confiar e acreditar.
Nesse contexto, compreender o sorriso como “palavra em silêncio” é reconhecer que a comunicação mais eficaz nem sempre se faz por discursos elaborados. Muitas vezes, reside nos gestos mais simples, naquilo que brota espontaneamente da alma. Talvez por isso essa lição, resgatada da fala do pontífice e repetida por Ricardo Nogueira, tenha se fixado com tanta força: porque traduz, com delicadeza, uma verdade essencial.
Em um tempo em que tantas palavras se perdem no excesso, o sorriso permanece essencial, vez que ele diz sem dizer, consola sem tocar, aproxima sem pedir licença. É gesto mínimo e, ainda assim, grandioso, talvez porque brote direto da alma, onde não há máscaras nem ensaios.
Sorrir, afinal, é escolher iluminar, e quem ilumina, mesmo sem saber, torna-se farol para os semelhantes, anunciando, em silêncio, que a vida, apesar de tudo, insiste em ser bonita… e que, sim, tudo pode dar certo.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
