SOMOS TURISTAS DA ESPERANÇA –
A vida nos reserva surpresas das mais variadas, as quais nem sempre chegam trazendo os cenários sonhados, mas quase sempre carregam consigo uma silenciosa lição: a de que, apesar das dores, dos medos e das incertezas, precisamos seguir acreditando que, de uma forma ou de outra, tudo haverá de dar certo.
Desde sempre, elegi Charlie Chaplin como alguém a ser lido, compreendido e admirado. Entre tantas reflexões deixadas por ele, existe uma que ilumina meu modo de enxergar a existência: “Somos todos turistas. Deus é o nosso agente de viagens, que já definiu nossas rotas, reservas e destinos. Confie Nele e desfrute da viagem chamada vida.”
Tal pensamento traduz, com impressionante fidelidade, os meses intensos que vivi desde o instante em que recebi a notícia de que um descendente tão amado, estava acometido por enfermidade feroz. Naquele momento, o chão pareceu vacilar, e o coração humano, por mais fortalecido que estivesse, inevitavelmente se curvou diante do desconhecido.
Mas foi justamente ali, entre orações, lágrimas silenciosas e incontáveis manifestações de carinho, que compreendi a força da fé, a grandeza da medicina e o poder transformador da solidariedade. Hoje, iluminado pela luz de Deus e pela excelência dos profissionais que cruzaram nosso caminho, ele encontra-se curado, retomando sua rotina e redescobrindo a beleza simples da vida cotidiana.
Entretanto, algo dentro dele também se transformou. Mais do que um atleta da vida, tornou-se um atleta de Cristo, alguém que aprendeu, ainda tão jovem, que certas batalhas não são vencidas apenas pela força física, mas sobretudo pela coragem espiritual.
Ao seu redor permaneceu um verdadeiro batalhão de amor: familiares, amigos e tantas pessoas que rezaram, enviaram energia positiva, dividiram esperança e sustentaram nossa caminhada nos momentos mais difíceis. Hoje, todos celebram juntos, não apenas a cura alcançada, mas a certeza de que a fé, quando abraçada com sinceridade, possui a extraordinária capacidade de iluminar até os caminhos mais escuros.
E assim, mais uma vez, a vida confirmou aquilo que o coração insistia em repetir baixinho durante toda a travessia: no final, tudo deu certo, pois “somos turistas da esperança”.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
