SETEMBRO AMARELO DEVIA SER O ANO TODO –
O mês de setembro está se indo embora e relutei em escrever sobre a campanha do Setembro Amarelo. Quem está ligado nas redes sociais deve ter visto o mês todo a campanha de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio. Que bom que temos esse mês de discussões, palestras, intervenções e orientações que buscam quebrar tabus e oferecer ajuda. Mas, um único mês é suficiente?
Uma das notícias que nos chegam pela Folha de São Paulo é que houve uma alta de 38% em suicídios de crianças e adolescentes em São Paulo e que muitos deles estão envolvidos com o mundo virtual, seja por desafios, chantagens ou coerção. Sim, crianças e adolescentes. Me pergunto como chegamos a esse ponto.
Pensei em como deve ser difícil ser adolescente nos dias de hoje. Além das mudanças inerentes a esta fase da vida – lembram como foi difícil passar por mudanças corporais, reafirmações, procurar nosso espaço? – ainda precisam lidar com as redes sociais, onde a cobrança está ali em um aplicativo no celular. Ainda, as comparações de corpo, poder aquisitivo e vida perfeita fazem com que nós adultos muitas vezes acreditemos no que vemos nas telinhas de nossos celulares, imaginem só como deve ser para esta faixa etária, que busca encontrar seu nicho, sua tribo, se afirmar como uma pessoa com autonomia mesmo diante de seus medos e limitações.
Olhei para a Bárbara de 14 anos com uma alegria imensa por ter vivido numa época livre de redes sociais. Sem Orkut, sem Facebook, sem Tiktok, sem Instagram. Com telefone fixo em casa, uso de papel de carta e selos para as cartas do correio, com raras fotos tiradas em datas festivas numa máquina Kodak com filmes de 36 poses.
Hoje a urgência do imediatismo com que a adolescência nos aflige é ainda mais urgente. As dores das comparações são ainda maiores. E, tão assustador quanto isso, é que chega cada vez mais cedo, atingindo também as crianças.
Falar abertamente sobre pensamentos suicidas pode salvar vidas. E não falamos apenas de crianças e adolescentes!
Peça ajuda profissional ou busque um serviço de emergência, mas não deixe de dar importância ao sofrimento pelo qual está passando.
Contatos:
CVV – 188
SAMU 192
Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, Autora de “O diário de uma gordinha” e Escritora
