SELEÇÃO SEM CARISMA –
Durante quase meio século o Brasil foi conhecido como o País do Futebol. Pudera! Nada mais justo em se tratando da única nação do planeta a ostentar cinco títulos de Campeão Mundial de Futebol obtidos, respectivamente, nas Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Acontece de há exatos 24 anos esperamos ouvir o clamor popular afirmando: O Brasil é hexa! É hexa! É hexa! Tudo aparenta não ser desta vez que ostentaremos o sexto título. Nada de negativismo, porém os sinais mostrados na estreia da Copa não deixaram expectativas de alcançarmos o hexa em 2026.
Li matéria interessante acerca do nosso fracasso ao longo dos anos e agora abordarei o assunto. Faltam brasileiros na nossa seleção. Não se trata da nacionalidade, pois todos são nascidos aqui. A ausência é quanto ao estilo de jogo que caracterizou a seleção canarinho no passado.
O que nos falta é o improviso, a ginga, a ousadia, a arte, o futebol samba que o Brasil mostrou ao mundo nos cinco títulos conquistados. Foi-se o tempo do Rei Pelé, de Garrincha a “Alegria do Povo”, de Jairzinho, Gerson, Rivelino, Tostão, Bebeto, Romário e Tafarel, de Ronaldo “Fenômeno”, e, de Ronaldinho Gaúcho.
Desapareceram jogadores com as características, tipicamente brasileiras, dos citados acima. Somente restou Neymar, com o qual não podemos contar por causa da limitação física. Afinal, o que ocasionou a derrocada do futebol brasileiro? Qual a razão para não possuirmos jogadores com o talento de nossos ídolos de cinco Copas passadas?
Cheguemos ao cerne da questão. Basta atentarmos para quantos jogadores do nosso escrete nacional ainda atuam em clubes brasileiros. Número acentuado deles debandou para o exterior na adolescência, eis alguns exemplos: Rodrigo, aos 17 anos; Vini Jr e Endrick, aos 16.
Lá, eles direcionam os talentos inatos de nossos jogadores para a disciplina, a leitura tática, a estrutura, o senso de equipe e de profissionalismo, sufocando o talento bruto, imprevisível e criativo, o drible que ninguém esperava, a jogada fora do script, o encanto e o sabor típicos originários do futebol brasileiro.
Quanta saudade nos traz a lembrança das estripulias de Garrincha, com suas pernas tortas, desestabilizando adversários com seus dribles que desafiavam as leis da Física e humilhavam seus oponentes sem quaisquer traços de soberba, porque a bola era o cinzel para suas jogadas esculturais.
E o que dizer de Ronaldinho Gaúcho, o “Bruxo”, no meu entendimento, o verdadeiro substituto do Rei Pelé. Mesmo atuando na Espanha nunca abandonou o estilo brasileiro de jogar. O seu talento inato com a pelota ultrapassava os limites do admissível ao ponto de ser aplaudido de pé pelas torcidas adversárias dos times nos quais exercitou a sua arte.
A tal ponto chegou o descrédito com o nosso escrete que até o treinador não é brasileiro. Parece inverdade que nenhum outro técnico nacional possua a capacitação de Vicente Feola, Aymoré Moreira, Zagallo, Parreira ou Scolari, para assumir a direção da nossa seleção.
Eis que nos faltam jogadores PO (puros de origem), ou seja, como no mundo animal, futebolistas que possuam uma genealogia rastreável e comprovada, sem a introdução de outras raças que não seja a brasileira na sua linhagem.
Oxalá, o milagre aconteça e que alcancemos o hexa antes da Argentina.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil
