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A decisão dos Estados Unidos de cassar o visto da embaixadora brasileira em Washington provocou reações nessa quarta-feira (5) em Brasília.
O Centro Brasileiro de Relações Internacionais considerou injustificada a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e afirmou que o “episódio é ainda mais lastimável em razão do alegado pretexto de retaliação contra decisões tomadas pelo Brasil em defesa da soberania nacional e da qualidade de seu processo eleitoral”.
O Departamento de Estado americano justificou a revogação como uma resposta à demora do governo brasileiro em dar aval para Daniel Perez, indicado por Donald Trump para assumir a embaixada em Brasília, e citou a decisão do Brasil de negar o visto a dois funcionários do Departamento, em julho. Segundo o Itamaraty, a visita teria a intenção de questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Em uma entrevista, o presidente Lula lembrou que Donald Trump, desde que assumiu a presidência, há um ano e meio, não tinha indicado um nome à embaixada americana em Brasília. Afirmou que o Brasil não era obrigado a analisar apressadamente a indicação de Daniel Perez, feita em junho, e criticou a decisão do presidente americano.
“Ele, então, tomar a atitude de cassar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair para cá, ela vai ter que ter que tirar visto outra vez. Ele tomou essa atitude que eu acho uma atitude irresponsável, parece impensada para um país que tem 203 anos de relação diplomática”.
O governo brasileiro decidiu manter a embaixadora nos Estados Unidos. Se ela sair do país, terá que solicitar um novo visto.
Segundo a Associação Americana do Serviço Exterior, 106 dos 195 postos de embaixador dos Estados Unidos estão vagos. Inclusive em países estratégicos, como Ucrânia, Rússia e Arábia Saudita. Dos postos vagos, 35 já têm nomes indicados, mas aguardam a conclusão do credenciamento. É o caso de Daniel Perez.
Segundo o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, a reação do governo brasileiro foi adequada. Mas ele defende cautela daqui para frente:
“Nós temos que ter cuidado para não perder o controle da situação e não deixar a situação sair do controle, porque não interessa ao Brasil, não interessa aos Estados Unidos, não interessa ao setor privado, não interessa a ninguém uma escalada sem controle da crise político-diplomática com os Estados Unidos. Eu acho que a gente tem que sempre reagir se houver alguma outra medida arbitrária, irresponsável, como o presidente falou, mas sempre tendo em vista o interesse nacional, o interesse do Brasil em primeiro lugar”.
Fonte: G1