ROMANCE: INGREDIENTE DO SUCESSO –

Li em uma dessas revistas de bordo, entrevista de bem-sucedido presidente de uma indústria do ramo de calçados. A fala do boss estava posta de maneira solta e acessível, sendo fácil compreender porque há vinte anos ele dirige um empreendimento de grande vulto, marcado pelo sucesso dos seus produtos junto aos consumidores. Prendeu-me a atenção o desenrolar da argumentação. Mas interessante mesmo eu achei o fecho da matéria, onde o cidadão sintetiza porque permanece no cargo há tantos anos.

Diz o moço: “Se você montar uma pirâmide em três sessões, a base é o uso. Todo mundo usa todo mundo o tempo todo. Isso é absolutamente normal. Você está me usando agora para obter informações para sua entrevista. Eu estou usando você para escrever coisas boas da minha marca. Acima disso, há o poder, que hierárquico. Às vezes as pessoas têm medo de ter poder. Porque é chato ter chefe, mas também é chato ser chefe. E, no topo, está o romance. Estou conversando com você e nem sei que horas são. Não tenho pressa nenhuma, porque adoro o que faço. Porque estou na empresa até hoje? Porque compreendo e aceito que aqui existe uma estrutura de uso e de poder, mas, fundamentalmente, porque adoro o que faço.”.

Dando forma geométrica à sua explicação, o dirigente empresarial incluiu em posição de destaque a afeição, tempero do romance, um insumo que nem sempre está presente nas decisões mais austeras tomadas em uma estrutura industrial complexa e, por isso mesmo, mais afeita à cientificidade dos seus organogramas e dos seus objetivos.

Isso surpreende, principalmente por rivalizar com lucro, prestígio social, geração de empregos, incremento de tributos e rendas, compatibilidade ambiental etc. Dar consideração a sentimentos delicados como bem-querer e autoestima, a serviço de uma engrenagem produtiva, pode ser uma grande sacada para o sucesso no meio conflituoso entre capital e trabalho. Talvez seja isso que esteja fazendo faltando à harmonização das relações entre capital e trabalho.

 

IVAN LIRA DE CARVALHO – Juiz Federal e Professor

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