DALTON MELO DE ANDRADE

                     Dalton Mello de Andrade

             Grande e agradável surpresa. Meu amigo ET, Roberto, ressurgiu, depois de uma longa ausência. Não disse nada a ele, claro, mais quase já o havia esquecido. Fiquei preocupado com a aparência dele. Magro, olhos fundos, ar preocupado, expressão de desânimo. Perguntei, que está acontecendo? Algum problema grave? E respondeu: comigo não, tudo bem, mas com o seu país.

            Você sabe como eu adoro o Brasil e os brasileiros. Estou nesta minha missão há muitos anos. Vendo meu desânimo e minha tristeza, meus chefes me ofereceram uma promoção, novos lugares, segundo eles, melhores. Agora mesmo, vendo o meu abatimento, me ofereceram férias, uma transferência, um outro colega para me ajudar. Nada aceitei. Disse que agüentava, queria continuar por aqui. E vim bater um papo com você para despairecer um pouco. – Certo, amigo. Estou ao seu dispor. Vamos conversar.

            Meu caro, as coisas por aqui vão mal, muito mal. Eu adoro este pais. Você sabe que conheço muito bem o Brasil, seu povo, seus problemas. E sou um otimista. Mas, ando triste com o que ando vendo. E isso tem afetado minha saúde, por incrível que pareça.

Estes últimos governos, especialmente o último agora renovado, tem sido de uma inoperância e uma incapacidade monumentais. Sua propaganda, bem feita mais enganadora, conseguiu reelegê-lo, com promessas que sabia vãs, conhecedor que era da real situação. Agora adota, ao contrario do pregado, e tardiamente, as providências que deveria ter tomado há muito. Mas nem todas, pois muito ainda há a fazer. E a presidente, de vez em quando, faz declarações que contrariam o bom senso.

            Esse problema da Petrobras é inacreditável. Nunca antes neste pais, adotando uma linguagem que se tornou famosa, se viu roubalheira tão monumental. Um desastre anunciado, pois é difícil acreditar que muitos não o conhecessem. Como sempre, tentam desqualificar o problema e transferir a culpa para o passado – depois de 12 anos comandando a maquina -, o que até parece piada. Se já existia, o mínimo que poderiam ter feito era apurar e punir, e não tirar proveito da situação. E de forma ainda mais escandalosa. O que tenho escutado, nas minhas andanças, é que coisas piores, em outras áreas, ainda vão surgir. Torço para que não. Mas não duvido de mais nada.

            E essa chamada oposição é inoperante e incompetente. Não consegue se mobilizar de forma inteligente. Suas contestações são fracas e retratam uma incapacidade inacreditável. Não oferecem sugestões inteligentes e viáveis. Se perdem repetindo os mesmos desaforos que escutam. Triste.

            Mas, como disse, sou um otimista. O Brasil já enfrentou problemas graves, talvez até maiores que estes de agora, e conseguiu salvar-se. Não aceitei ser transferido, pois quero ser testemunha da volta por cima. Alguns dos nossos analistas acham que sim, tudo é possível, até a recuperação do país, mas o tempo para isso está encurtando e medidas urgentes, que doerão na carne, têm de ser tomadas já. Vejo que algumas foram adotados, mas faltam muitas outras. E a união, especialmente política, para que isso ocorra, é indispensável. Não a vislumbro, pelo menos num futuro próximo. E o partido no governo, e mesmo alguns dos integrantes desse governo, não parecem ver a gravidade da situação. Lamentável.

            Tenho que ir. Não sei quando voltarei a vê-lo. Espero que da próxima vez nosso encontro seja mais tranquilo. Que as coisas tenham se arrumado, que possamos conversar sobre coisas mais agradáveis e que as nossas primeiras palavras sejam de alegria pela recuperação do pais. Sem traumas. – É o que também espero, respondi. Um abraço. Vá em paz. E conte comigo.

Dalton Mello de AndradeEx- Secretario de Educação do RN e Pro Reitor da UFRN 

 

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