PRIVAVERA: A LIÇÃO DAS FLORES – 

A chegada da primavera que acontecerá em breve, traz-me à memória uma caminhada pelos corredores de milenar templo que engrandece a história de Nara, cidade japonesa situada a trinta quilômetros de Kioto. Em uma de suas paredes, li, na tradução inglesa, o provérbio: “As flores só são flores porque caem.”

Após a inesquecível visita, sentado em banco à sombra de uma cerejeira, meditei sobre a força daquelas palavras e imaginei o ser humano como as flores, com o dever de cumprir integralmente o próprio destino.

Se, nos eventos, as flores se destacam como ornamentos e, enquanto vivas, embelezam jardins, campos e montanhas, de modo semelhante, os seres humanos, verdadeiras obras de arte, nascem com o dom da resistência e, mesmo diante das adversidades, são capazes de espalhar fragrâncias especiais e até iluminar

Se as flores têm a força de encantar a vida e até embelezar a morte, cada ser humano guarda, em simbólica prateleira no peito, uma caixa de Pandora, onde repousam não apenas a esperança, mas também a capacidade de inspirar e alegrar, cabendo-lhe fazer uso desses atributos.

Homens e mulheres espalham sua beleza e influência, independentemente das mudanças ao redor, lembrando que a verdadeira essência não está apenas na permanência, mas na habilidade de florescer onde quer que estejam “plantados” ou mesmo quando já se encontram como ramos cortados.

Semelhantes às flores, as pessoas também têm seu tempo. Aquelas que insistem em se perpetuar, ignorando que sua vitalidade já não é a mesma de outrora, terminam abdicando do perfume único que sempre possuíram e comprometendo a própria história.

É como uma flor que, ao resistir às mudanças e à passagem dos anos, perde seu aroma e sua beleza, esquecendo que a verdadeira grandeza está na capacidade de renovar-se e empreender novos caminhos, em vez de permanecer presa ao passado.

A chegada da primavera renova essa lição: somos como as flores, que nos recordam a efemeridade da vida e a importância de apreciar cada momento de beleza. Assim, mesmo depois de caídos, seremos sempre lembrados. Esta é a máxima que acredito para mim.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

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