Manifesto civilizatório pela valorização do Nordeste em 6 mandamentos –

Não se trata de uma provocação. Não há qualquer sentido de separatisno. Pelo contrário. O que se pretende é restaurar uma paz interna, que seja absolutamente integradora. A civilização brasileira nasceu e se fez plural, riquíssima na diversidade de suas culturas. E assim precisa se manter. Afinal, essências para essa conciliação nacional sempre existiram em fartura. Só não pode deixar de buscá-las.

Os pontos abaixo trazem à cena um simples manifesto civilizatório, na intenção de destacar o valor da contribuição do Nordeste para formação da sociedade brasileira. Apenas para servir como lembranças de um povo que tem um legado na história deste país.

1. Não deixe de resgatar uma “dívida de gratidão”.

O solo da “nação” nordestina germinou o Brasil. Foi parte relevante da construção de uma sociedade, que contribuiu para inúmeros setores de atividade.

Em mais de 500 anos, entre riquezas econômicas e valores humanos, o êxito da região é bem maior que o êxodo visto pelo os que vêem a imigração com o viés do preconceito.

Os brasileiros conscientes – e até os que se armam em nome do apartheid regional – precisam resgatar essa dívida.

2. Não deixe de fazer um reconhecimento histórico

Ao se destacar tanto tempo de ingratidão com os nordestinos, aqui medido em séculos, é preciso que se aprofunde na História. Em larga medida, cabe num primeiro olhar, o que foi a força da região no período colonial, aqui vista pela ótica econômica. Do sucesso comercial com o açúcar até os dias de hoje, com tantos exemplos de inspiração empreendedora. A economia nordestina sempre deu conta do seu recado. Uma mera pesquisa sobre esse papel dará um mínimo entendimento, a respeito de um Nordeste economicamente vocacionado e excepcionalmente pujante.

3. Não deixem de fazer também um reconhecimento cultural

A pluralidade da formação que se observa na nossa cultura, explica bem o valor estratégico que ela pode representar para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro. A identidade nacional nos orgulha pelo sentimento identitário.

Creio que nem preciso expor aqui a força dessa identidade, através das contribuições de tantos nordestinos e nordestinas, em áreas culturais tão diversas. Vou além ao destacar a amplitude desse conhecimemto que também está associada à região, pelas conquistas científicas e tecnológicas. Renovo o estímulo às pesquisas sobre o tema. O mérito alcançado pelo povo nordestino é incondicional.

4. Não deixem de ver os exemplos de uma educação comprometida

Apesar da falta de políticas públicas mais amplas e intensivas, o Nordeste tem dado sua contribuição para o que se conseguiu de avanços, em termos de educação. Sugiro aos desinformados que pesquisem alguns indicadores/resultados conquistados por estados da região. Cabe também verificar a quantidade de acessos dos nordestinos aos cursos superiores de instituições das mais consagradas no Brasil e no Exterior. Algumas politicas públicas do Nordeste são exemplos.

5. Não deixe de entender que a integração do Brasil se pauta na diversidade

Para os que fazem tantos acenos à singularidade de seus arroubos individualistas e narcisistas, cabe insistir: que faz o Brasil diferente é sua diversidade. É preciso recuperar uma motivação integradora e que ponha essa questão como o núcleo dinâmico da transformação socioeconômica que tanto se espera. Esse é o verdadeiro espírito de uma nação, que ainda se queira fazê-la justa e democrática.

6. Um modelo de desenvolvimento singular para uma proposta plural de compromissos com o futuro

Criatividade, inovação e tecnologia, trinômio da sobrevivência futura da humanidade só se alcança com capital humano qualificado. Educação, cultura, ciência, tecnologia e preservação ambiental fazem parte da engrenagem da sustentabilidade. Isso não só reforça o respeito à diversidade, como implica numa revisão de postura, que valorize as diferenças, nas suas mais distintas manifestações. Os nordestinos expressam nessa adversidade sua força, das origens étnico-históricas até sua capacidade atual de atender aos mais questionados aspectos civilizatórios da nação brasileira. O Nordeste sempre esteve pronto para os desafios postos sobre seus ombros.

Que o conceito “euclideano” de resistência continue a se revelar ainda mais evidente. E que os “mandamentos” modestamente propostos, justifiquem os méritos que cabem a cada cidadão nordestino.

 

 

Alfredo Bertini – Economista, professor e pesquisador, Ex-Presidente da Fundação Joaquim Nabuco

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaborador

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