PIRULITO

No final de semana é comum irmos a um dos shoppings da cidade para um almoço, um passeio, um café e, com sorte, encontrar amigos para um bate papo. Entre assuntos sérios e profundos e amenidades e leveza, trocamos ideias e rimos um tanto.

Quando não encontramos ninguém, os papos acontecem entre nós, permeados por momentos silenciosos. Silêncio, às vezes, fala mais que as palavras…

Então, em meio a um silêncio desses, com uma xícara de café no meio do caminho em direção à boca, eu e Flávio nos entreolhamos.

Passava pelo corredor do shopping um homem por volta dos seus 50 anos, chupando um pirulito. Ele passeava lentamente, parava um pouco, tirava o pirulito da boca, olhava para ele e voltava a andar colocando o pirulito de volta à boca. Uma sequência de atos repetidos várias vezes. A mesma sequência. Na mesma velocidade.

Ao lado dele passeavam crianças correndo e brincando, cachorros latindo, casais se beijando. Nada – nada mesmo – interferia no seu comportamento.

Eu ri.

Não dele!

Forcei a mente para lembrar de pessoas adultas chupando pirulito com tanta serenidade em meio a um shopping. Não achei…

Eu ri da leveza que ele carregava. Como se fosse uma capivara, sabe? Sem querer guerra com ninguém. Apenas se deleitando com a própria companhia, com seu doce talvez cheio de memórias afetivas, com paz.

Sem se preocupar com tempo, com velocidade, com julgamentos.

Só ele e o pirulito. E parecia, para nós observadores, que só isso o bastava.

A simplicidade…

 

 

 

Bárbara Seabra – Autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”, Escritora

 

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