PÁTRIA AMADA BRASIL –

Não esqueci o período em que, dos 13 aos 15 anos de idade, estudei no Ginásio São Luís, em Natal, educandário do Pe. Eymard L’Eraistre Monteiro. Lá, todos os dias antes do início das aulas cantávamos o Hino Nacional Brasileiro, procedimento esse em desuso na atualidade.

Aprendi a letra de Joaquim Osório Duque-Estrada ao ponto de recitá-la sem a melodia, caso me provocassem para tanto. Hoje, ao correr o olhar pelos versos do nosso hino vejo somente incertezas quanto ao porvir da nação.

Por quê? São tantos os desmandos que assolam a administração pública do país, que o futuro que espelha a grandeza do impávido e colossal gigante pela própria natureza, somente deixa transparecer sombras. O fulgurante Brasil, florão da América, iluminado ao sol do Novo Mundo, precisa encarar a dura realidade que vive o seu povo sofrido.

Para que salvemos o penhor da igualdade que conseguimos conquistar com braço forte, ó Liberdade, precisamos livrar o país da corrupção, dos maus políticos, dos privilégios abusivos, do crime organizado, da mentira, da dissimulação e da falta de vergonha na cara.

O raio vívido de amor e esperança, descido à terra para iluminar um sonho intenso, precisa permanecer em nosso formoso céu risonho e límpido. Nada de esmorecer diante das dificuldades pois ainda possuímos patrícios descendentes do povo heroico de brado retumbante, que arrancou a nossa independência de Portugal e instituiu a República do Brasil.

 Ao assistirmos o estrago que o banqueiro Daniel Vorcaro já fez e continua acarretando ao mundo político do país e ver prevalecer a impunidade dos envolvidos na trama vergonhosa, sentimos existir algo contrariando a expectativa de uma clava forte erguida pela justiça.

Não nos deixemos embalar ao som do mar e à luz do céu profundo, enquanto esperamos o raio vívido de amor e esperança descer à terra para sanar as imorais contravenções que embotam o brilho do céu da pátria nesse instante.

Vale lembrar aqui trecho de discurso de Rui Barbosa, na tribuna do Senado, em 1914: A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de toda a nossa infelicidade, a fonte de todo o nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação…

E mais adiante: …A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem, cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela da fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a venalidade e a baixeza, sob todas as suas formas…

E conclui o formidável discurso, afirmando: …E nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem.

Eis que me ponho a imaginar. Qual seria o recado de Rui Barbosa ao nosso povo, se vivo fosse e ocupasse uma cadeira no Senado? Repetiria o mesmo discurso ou sentiria engulhos ante a situação que atravessa a sua Pátria Amada Brasil?

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

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