OBSOLESCÊNCIA PLANEJADA –

Quando a produção de uma mercadoria é planejada para que ela atinja o estado de obsolescência em tempo determinado, nessa programação há um componente importante: a assimetria de informação – o produtor sabe o tempo projetado para duração do produto, enquanto o consumidor não. Por isso, a Obsolescência Planejada tem mais probabilidade de êxito quando a produção da mercadoria sob a qual está sendo aplicada é exercida por empresas monopolista ou oligopolista. Na maioria das vezes esse monopólio ou oligopólio é em decorrência de tecnologias cujas patentes são de propriedade do fabricante ou cujo direito de uso foi por ele adquirido.

O exemplo mais citado como fato concreto é o mercado automobilístico norte- americano nos anos 1960 e 1970. Até essa época, as montadoras do país praticamente só faziam veículos grandes e com alto índice de caducidade. Quando chegaram os carros japoneses, mais compactos e projetados para terem “maior tempo de vida”, as fábricas americanas tiveram que redefinir o tamanho e tempo de uso dos seus carros.

Vários mecanismos de planejamento são usados para fazer surgir a obsolescência de uma mercadoria ou serviço, uma delas é o desuso por causas técnicas. Essa é a principal causa da obsolescência das mercadorias em geral. Aqui se tem dois tipos de desuso por causas tecnológicas: a) porque foram descobertos novos processos após o lançamento do produto ou b) porque o primeiro lançamento da mercadoria com tecnologia inferior tinha como objetivo financiar as pesquisas para desenvolver as inovações do segundo lançamento, e assim repetidamente. No primeiro caso uma descoberta científica não programada que provoca a caducidade. O segundo caso é o que se identifica com o conceito técnico de obsolescência planejada – os produtos antecessores e sucessores são elaborados pela mesma corporação.

Há ocorrências que fazem aflorar o “estado obsoleto” de um bem, como resultado de programação industrial. Uma delas é quando há necessidade de se fazer manutenção preventiva ou corretiva que envolva reparos ou substituição de peças. Nessas situações, o custo dos reparos se aproxima, é igual ou é superior ao de substituição do bem antigo por um novo, contendo as inovações mais modernas. Outra forma é simplesmente o fornecedor suspender a assistência técnica e a reposição de peças. Uma terceira forma de evidência de obsolescência é quando um produto novo (com novas tecnologias) não oferece condições de interagir com produtos antigos (com tecnologias anteriores). Os exemplos mais comuns são os periféricos de computadores e alguns tipos de máquinas industriais que não funcionam com softwares ou equipamentos recém-lançados.

Outro caso é o desuso por obsolescência funcional, quando os fabricantes introduzem novas tecnologias que substituem totalmente as tecnologias antigas. Uma loja de Mossoró pode servir de exemplo. Quanto inaugurada, vendia os antigos discos de vinil, fitas cassetes e fitas de videocassete, por isso seu nome: “Disco Fitas”. Hoje a loja ainda existe, porém não vende nem discos de vinil, nem fitas cassetes, nem videocassete; produtos que não mais existem e que foram substituídos por outros.

 

 

*Publicado originalmente em Tribuna do Norte. Natal, 03 ago. 2022

 

 

 

 

 

 

 

 

Tomislav R. Femenick – Mestre em Economia e Contador

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