O BOLÃO DA COPA E AS LIÇÕES DA VIDA –

Antes mesmo do início da Copa do Mundo, um amigo recebeu convite para participar de tradicional bolão entre conhecidos. Como já previa, preencheu os palpites de forma criteriosa, privilegiando a lógica e evitando apostar nas famosas “zebras”. Ainda assim, permaneceu durante quase toda a competição entre os últimos colocados.

Tudo o que alcançou nasceu do trabalho, da perseverança e da dedicação. Assim aconteceu ainda na juventude, quando, como goleiro, defendeu as equipes principais do Colégio Marista, Engenharia Civil, também da Universidade Federal de Alagoas e, em algumas oportunidades, das seleções representativas de Alagoas em competições nacionais.

Essa mesma filosofia orientou toda a sua trajetória profissional. Na Engenharia, docência e literatura, sempre buscou desempenhar cada missão com responsabilidade e compromisso. Nunca se apresentou como alguém dotado de talentos extraordinários, mas jamais permitiu que faltassem esforço, seriedade e dedicação em qualquer tarefa assumida. As críticas, quando surgiam, eram transformadas em incentivo para seguir adiante, pois compreendia que somente enfrenta questionamentos quem se dispõe a ocupar espaços e assumir responsabilidades.

Entre todas as escolhas feitas ao longo da existência, contudo, nenhuma se mostrou mais valiosa do que o investimento na família. Foi nesse ambiente que procurou cultivar os princípios recebidos dos pais, cuja lição permanece viva como um verdadeiro legado: “Quem não herda um império deve oferecer o melhor de si para construir o próprio recanto.” Mais do que uma frase, esse ensinamento tornou-se norte permanente, lembrando que o patrimônio mais valioso não se mede por bens materiais, mas pelo caráter, trabalho honesto e amor dedicado àqueles que caminham ao lado.

Curiosamente, terminar o bolão da Copa entre os que menos pontuaram proporcionou uma reflexão muito mais rica do que qualquer premiação. Afinal, a vida raramente distribui vitórias pela sorte. Ela recompensa aqueles que cultivam disciplina, constância e coragem para recomeçar sempre que necessário.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

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