O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, assumiu oficialmente o cargo nesta segunda-feira (20). Burnham substituiu Keir Starmer, que entregou seu posto ao novo premiê nesta manhã após anunciar renúncia em junho por conta de uma crise política e econômica.

➡️ Starmer também era o líder do Partido Trabalhista, e, no Reino Unido, quando um premiê renuncia, o partido que está no poder — agora, o Trabalhista — pode indicar um substituto, em vez de que uma nova eleição seja convocada.

Ao entrar na sede oficial do governo britânico, o número 10 de Downing Street, em Londres, Burnham fez seu primeiro discurso à frente do Reino Unido. Com uma proposta mais pragmática que seu antecessor, ele prometeu uma “nova economia” ao país, que é a segunda potência econômica da Europa, mas está mergulhado em uma espiral de alta da inflação e do custo de vida.

O novo premiê afirmou que vai estabelecer novas medidas ainda nesta semana para ajudar com o custo de vida e trazer “um certo alívio” aos britânicos. Também disse que desenhará um novo plano de 10 anos para o país ainda este ano.

“A Grã-Bretanha precisa mostrar ao mundo que podemos recuperar a nossa estabilidade mais uma vez”, disse Burnham num discurso em frente ao número 10 de Downing Street. “Não temos sido bons o suficiente e precisamos melhorar”.

 

Na sexta-feira (17), o agora premiê já havia sinalizado que pretende apertar o controle de preços de bens essenciais para tentar conter a alta da inflação no Reino Unido. “Se não temos controle público suficiente sobre o custo de bens essenciais, como podemos conter a inflação?”, questionou.

Burnham também afirmou que governará para todas as regiões do Reino Unido. “Serei um líder para o norte, o sul, o leste e oeste”.

Burnham falou, ainda, em ajudar “mais jovens a ingressar no mercado de trabalho, reformulando o sistema educacional e oferecendo-lhes mais apoio — inclusive na área de saúde mental’.

“Essa é a maneira justa e sustentável de reduzir os gastos com assistência social, cumprir nossas regras fiscais e honrar nossos compromissos de defesa com nossos parceiros internacionais.”

‘Saio com elegância’, diz Starmer

O ex-premiê, que anunciou que iria renunciar no dia 22 de junho, após resistir meses à pressão, também fez um discurso em frente à residência oficial do governo, a Downing Street 10, em que agradeceu o período em que esteve à frente do país.

“Saio com elegância, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos”, afirmou.

 

Ao passar o bastão para Andy Burnham, Starmer fez questão de mostrar unidade no Partido Trabalhista e declarar seu apoio ao sucessor:

“Desejo-lhe todo o sucesso e ele tem meu total apoio”.

 

Após o discurso, ele embarcou para o Palácio de Buckingham ao lado da esposa para se encontrar pela última vez como líder do governo com o Rei Charles III. Na cerimônia, uma tradição britânica, ele apresentou formalmente sua renúncia e fará o anúncio do novo premiê. Depois, Andy Burnham se reunirá pela primeira vez com o rei.

Na sexta-feira (17), Burnham foi confirmado como o novo líder do Partido Trabalhista. A confirmação era o último passo para que ele possa assumir o governo britânico.

Burnham foi o único candidato dos trabalhistas para subsituir Keir Starmer, atual primeiro-ministro do Reino Unido que anunciou a renúncia ao cargo no fim de junho, após meses de pressão (leia mais abaixo).

Em discurso após ser anunciado como o novo chefe da sigla, Burnham negou divisões dentro de seu partido.

Crise no governo

O primeiro-ministro britânico vinha sofrendo pressão para deixar a liderança do seu partido, o Trabalhista, há meses.

O governo de Starmer, um ex-advogado e trabalhista tradicional, durou menos de dois anos, mesmo que ele tenha sido eleito com uma rara maioria no Parlamento e em uma vitória esmagadora nas urnas sobre os rivais conservadores.

Aos poucos, no entanto, a credibilidade e confiança no governo Starmer foi caindo, e ele se tornou o premiê com o pior índice de aprovação no Reino Unido em 50 anos, por uma série de fatores. Entre eles:

  • A economia do Reino Unido seguiu estagnada ao longo de seu governo, apesar das promessas do premiê trabalhista de dinamizá-la. Seu governo também cortou subsídios para idosos e aumentou impostos;
  • Logo nos primeiros meses de sua gestão, a imprensa britânica divulgou que Starmer e vários de seus ministros aceitaram presentes de doadores do Partido Trabalhista como roupas de grife, óculos de luxo e ingressos para shows, incluindo um da cantora Taylor Swift, e jogos de futebol. Embora as doações fossem declaradas e estivessem dentro das regras parlamentares, a revelação gerou desgaste na imagem austera de Stamer;
  • Em fevereiro de 2026, seu chefe de gabinete renunciou por ter indicado Peter Mandelson para embaixador nos EUA, mesmo sabendo dos vínculos de Mandelson com Jeffrey Epstein. O caso também abalou a credibilidade do Partido Trabalhista, e o próprio Starmer reconheceu ter errado;
  • A insatisfação com a economia e com as crises na imagem cobrou o seu preço nas urnas nas eleições regionais de maio. No pleito, o Partido Trabalhista sofreu uma derrota histórica, perdendo centenas de assentos em Parlmentos locais.

A popularidade do premiê despencou por conta de todos os episódios. Em maio, apenas 13% dos britânicos aprovavam seu governo, enquanto 79% rejeitavam sua liderança, o pior índice desde 1977.

Antes de anunciar sua renúncia, Starmer chegou a ser pressionado por cerca de 100 parlamentares do próprio partido que exigiram publicamente sua saída. O premiê conseguiu se segurar por semanas, mas acabou não resistindo à pressão: renunciou após apenas 23 meses no cargo.

O Reino Unido não elege o seu primeiro-ministro diretamente. Ele é escolhido pelos parlamentares do partido que venceu a eleição geral (aquele que reuniu o maior número de cadeiras), que hoje é o Partido Trabalhista. O cargo, em geral, cabe ao líder do partido.

Fonte: G1

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