No 19º dia do julgamento da ação penal do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira, o ministro-revisor Ricardo Lewandowski divergiu mais uma vez do ministro-relator Joaquim Barbosa. Ele concluiu pela absolvição dos réus Ayanna Tenório — que era vice-presidente administrativa do Banco Rural à época dos fatos — e Vinícius Samarane — atual vice-presidente — que respondem por crime de gestão fraudulenta de instituição financeira. Acusados do mesmo crime, a ex-presidente do banco, Kátia Rabello, e o ex-vice-presidente de operações, José Roberto Salgado, já tinham sido condenados pelos dois ministros nas duas sessões anteriores.
Os dois ministros voltaram a se desentender, em debate no plenário, com a insistência do ministro-relator em replicar o voto do revisor. A ministra Rosa Weber — a primeira dos demais ministros a se manifestar — votou em seguida, acompanhando Joaquim Barbosa quanto à condenação de Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinicius Samarone. Concordou com o revisor quanto à absolvição de Ayanna Tenório.
Na segunda-feira, Lewandowski acompanhou Joaquim Barbosa na condenação de Salgado e de Kátia Rabello, mas deixara os dois restantes réus do chamado núcleo bancário-financeiro — Ayanna e Samarone — para a sessão plenária desta quarta-feira. Naquela ocasião, Barbosa concluíra que os quatro réus, “em divisão de tarefas típica de uma quadrilha, atuaram intensamente na simulação das operações de crédito sob enfoque (empréstimos fictícios)”, em benefício, não só das empresas do publicitário Marcos Valério, mas também do Partido dos Trabalhadores (PT). O montante desses “empréstimos” — e de suas renovações — teria chegado a mais de R$ 58 milhões.
Fonte: Jornal do Brasil