DALTON MELO DE ANDRADE

Dalton Mello de Andrade

Não, não é o ótimo programa da TV Universitária, inventado por Carlos Lyra no tempo de Diógenes e ainda hoje tão bem conduzido por Tarcísio Gurgel. É a minha memória que, milagrosamente, resiste. E, desta vez, sem fazer qualquer pesquisa e apenas pescando no fundo do poço, sem pretensões acadêmicas, apenas refletindo o que senti e vivi nestes anos que marcaram, e complicaram, minha vida e a de todos nós – a condução da nossa economia -, quase sempre desastrosa. E tentando ser conciso.

Das primeiras que me lembro, as acusações que faziam à Dutra, logo  depois da II Guerra. Pegou todas as nossas reservas, acumuladas durante aquele período, e deixou que fossem desperdiçados com a importação de bugigangas. Durante a guerra, esse dinheiro foi acumulado com o que conseguimos vender. Inclusive todo o café, que teve uma quantidade enorme queimada por Getúlio nos anos trinta, para aumentar o preço no exterior.

Depois de Dutra, anos de arrocho. Lembro-me que, para comprar dólares,  tivemos até leilão, como estão fazendo hoje na Venezuela. Disso me lembro bem, pois já trabalhava com meu pai e participei de alguns desses leilões para importar, entre outras coisas, arame farpado. Não, não era para campos de concentração, era para cercar fazendas. Já a espera do MST? Não, antes tivemos Julião.

A coisa piorando. Inflação crescendo, mas ainda dentro de certos conformes. Veio Juscelino, cinqüenta anos em cinco, e Brasília. (Cidade que eu gosto, e cujo único óbice é a população flutuante, que ocupa o Congresso; com algumas exceções, óbvio). E aí a inflação começou a desandar. Jânio bagunçou o coreto, que foi para o brejo com Jango. E a economia piorando. Veio a “redentora”, que começou bem com Castelo, conseguindo controlar um pouco a inflação. Vieram os outros, todos com idéias de Brasil Grande, com um nacionalismo burro que só nos criou problemas, e ainda cria. Estatização, entre outras. Essa sim uma herança maldita. Em Informática, por exemplo, tivemos mais de dez anos de atraso e um aprendizado de como se fazer contrabando. Única forma de se ter um computador, especialmente em casa, quando começaram a surgir os desktops. E a inflação crescendo.

Diretas já, eleição e morte de Tancredo, e aí veio Sarney. Campeão mundial de desgoverno, ainda hoje dando palpites, ruins. A inflação dispara. Sarney trouxe salvadores da Pátria Amada, como Dílson Funaro, Bresser Pereira e Mailson da Nóbrega. Dílson, coitado, morreu muito cedo, mas os outros dois continuam aí dando palpite e, por incrível que pareça, sendo escutados. Mailson nos deu uma inflação campeã. Bresser fez um plano que até hoje traz prejuízos ao pais. Dílson criou os “fiscais de Sarney”. Aí vem Collor; precisa comentar? Basta mencionar uma mulher que se dizia economista, uma Zélia qualquer coisa, e que a única coisa que conseguiu foi igualar todos num confisco maluco das poupanças. Fiquei tão rico quanto Antonio Ermírio de Morais. Felizmente, Collor foi expulso do governo, mas não aprendeu nada. Continua aí, enrolado.

Veio Itamar, que teve a sorte de chamar Fernando Henrique para ministro da Fazenda. FHC juntou um grupo de caras safos e bolou o Plano Real. Foi a nossa salvação. Mas, parece que somos mesmo sem sorte. Veio Lula, outro salvador da Pátria, o que continua querendo ser. No começo, enquanto seguiu os modelos existentes, até que foi bem. Depois, convenceu-se de que era o cara, como disse Obama sem saber de nada, e começou a botar as garras de fora. A coisa começou a desandar, atingindo o ápice com o mensalão e subindo ainda mais com a sucessora. Esta arranjou um pau mandado e levou nossa economia ao desastre completo no seu primeiro mandato, destruindo as coisas boas que haviam sido feitas.

Agora, embora não tenha se arrependido, nunca reconheceu os erros e culpando a “crise externa” por tudo, crise que já não existe mais, foi buscar na iniciativa privada, que parece detestar, um sujeito que dá a impressão de  saber das coisas, mas sem muito jogo de cintura. Encontrou um Congresso que continua irresponsável e que só pensa em São Francisco (como o Papa), e pouco tem conseguido. E nós, vitimas, continuamos a pagar uma conta interminável, e cada vez mais cara. Um salve-se quem puder. Pessimista? Nesse contexto, teria tudo para ser. Mas ainda acredito no Brasil.

Dalton Mello de AndradeEx secretário de Educação do RN

 

 

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