MÁSCARA DE OXIGÊNIO –
Se tem algo que me incomoda nos voos é a tal da instrução de emergência. Onde ficam as saídas de emergência, quantas são, o que fazer. Tento não prestar atenção enquanto presto atenção.
Em meio a tantas explicações, uma coisa sempre me faz refletir:
- Em caso de despressurização da cabine máscaras de oxigênio cairão. Coloque a sua primeiro e depois ajude a uma criança, caso haja.
Primeiro a sua máscara! Depois a do filho. Será que eu conseguiria responder a esse comando?
Passei a última semana de cama, arriada com uma gripe sem fim. Deitada, intercalava momentos de livros, filmes, séries e estudos, pois tinha uma prova a realizar. Cabeça a mil e corpo perto do zero… Uma das séries, indicada por Flávio, mostra a relação de uma mãe e filho. Não vou dar spoiler! Não direi a série nem o conteúdo (me roendo para não dizer!). Entretanto, na série o pai foge da criança. Não arca com as responsabilidades de ter um filho fora dos padrões esperados. E a mãe? A mãe estava lá. Firme. Lutando por e com ele. Ia a médicos, brigava na escola, tentava formas de comunicação diferentes. O pai dizendo que tinha dificuldades, não conseguia se manter perto.
Então, Flávio me pergunta quantos episódios já assisti. Ele sabe como devoro essas coisas e logo faço maratona de séries nesse estilo. Respondo que, honestamente, estou em doses homeopáticas, porque me sinto mal vendo aquilo. Em qual momento ser pai tem peso diferente do ser mãe? Em qual momento o pai recebe o direito de dizer “tenho dificuldades em lidar com isso” e sai de cena, enquanto a mãe não pode dizer “hoje estou cansada” e parar por uma noite?
Penso nas mães que não têm como colocar sua própria máscara de oxigênio antes de correr para lidar com as dores do filho.
E aqui não estamos falando sobre máscaras…
Bárbara Seabra – Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”
