A Turquia entrou no quarto dia de protestos contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan nesta segunda-feira (3). As manifestações se espalharam de Istambul para a capital Ancara e para a terceira maior cidade, Izmir. De acordo com a agência Reuters, manifestantes em Izmir atearam bombas incendiárias contra os escritórios do partido AK, ao qual Erdogan é filiado. Imagens de TV mostraram o prédio em chamas. O fogo foi controlado pelos bombeiros, de acordo com a agência de notícias Dogan. Em Istambul, as ruas ao redor do escritório do primeiro-ministro foram isoladas pela polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão nas primeiras horas desta segunda-feira. Os manifestantes haviam construído barricadas com abrigos de ônibus, pedras de pavimentação e placas de rua, bloqueando uma avenida perto do Estreito de Bósforo.
Em Ancara, a polícia invadiu um complexo comercial onde manifestantes estavam abrigados, e deteve centenas de pessoas. Os protestos anti-governo na Turquia são considerados os mais ferozes que ocorreram nos últimos anos. Eles começaram na sexta-feira (31) devido a um projeto de renovação da praça Taksim de Istambul, mas desencadeou manifestações contrárias ao governo em várias cidades do país. Muitos manifestantes pedem que o primeiro-ministro Erdogan renuncie ao cargo.
Na noite de domingo (2), a Casa Branca pediu a todos na Turquia que “acalmassem a situação.”Erdogan reiterou que seu governo não vai recuar no plano de retirar as árvores de Taksim. Em uma declaração que poderia causar mais polêmica, ele também declarou que uma mesquita será construída no Taksim. Esse plano tem sido controverso porque iria diminuir ainda mais os espaços verdes no centro da cidade de Istambul. Alguns argumentam que já existem muitas mesquitas em Taksim.