LIVRO ESCRITO COM TINTAS DO CORAÇÃO –

Ao entregar ao público meu livro “Por quê? e para quê?” não coloquei nas mãos dos leitores apenas páginas impressas. Divulguei parte de nossa família em um livro escrito com tintas do coração, entre lágrimas, silêncio e esperança.

Em novembro de 2025, a doença entrou sem convite na vida de Arthur, meu neto de 16 anos. De repente, a juventude precisou aprender palavras distantes de seus sonhos: exames, quimioterapia, cirurgia. Como avô, desejei trocar de lugar com ele. Não pude. Coube-me caminhar ao seu lado, confiando em Deus.

Diante da dor, surgiu a pergunta inevitável: “Por quê?”. Arthur, porém, não permitiu que ela lhe roubasse o amanhã. Enquanto enfrentava cada etapa com admirável coragem, formou-se ao seu redor uma corrente de fé: familiares, amigos, mães e jovens unidos em oração, construindo uma ponte invisível entre a terra e o céu.

A medicina cumpriu sua missão, abençoada pelas mãos de Deus. O tumor desapareceu, a cirurgia foi realizada e o exame confirmou a inexistência de células malignas. No momento mais difícil, o próprio Arthur consolou sua mãe: “Mamãe Bruna, não há Jesus sem Cruz.”

Foi então que o “por quê?” começou a dar lugar ao “para quê?”. Talvez para aproximar pessoas, despertar orações adormecidas e transformar sofrimento em testemunho. Talvez para nos ensinar que a fé não impede a tempestade, mas segura nossa mão durante a travessia.

Por quê? E para quê? nasceu dessa caminhada. É o registro de uma vitória e, sobretudo, de uma transformação. Arthur venceu a doença; nós aprendemos com ele a agradecer mais, amar melhor e confiar sem reservas.

Hoje, ao vê-lo novamente sorrir, praticar esportes e falar de Deus a outros jovens, compreendo que certas respostas não chegam em palavras. Chegam em forma de vida restaurada.

E este avô, que tantas vezes escreveu chorando, encerra cada página repetindo a mais simples e grandiosa das frases: obrigado, meu Deus!

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

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