INEGOCIÁVEL –
A ideia deste escrito surgiu depois de eu visualizar nas redes sociais fotografias de personalidades do show business, mais especificamente do mercado comercial da arte popular, como cinema, TV e teatro. Algo de espantar e entristecer os admiradores desses personagens que embalaram sonhos de tantas pessoas.
Começarei falando do que é de conhecimento geral: a velhice é inegociável. O avanço da idade e o processo natural do tempo no corpo são fatos inevitáveis da vida de todos. A única alternativa a envelhecer é não estar mais aqui. O problema consiste em como senilizar com dignidade, respeito e direitos.
É constrangedor vermos beldades de épocas passadas transformadas em figuras caquéticas e desengonçadas após serem alcançadas pela velhice. Muitos retrucarão alegando ser o resultado do inevitável efeito passar dos anos do qual ninguém ficará isento. Tudo bem! Mas nem assim deixa de ser constrangedor.
Para a não aceitação da velhice existe um termo conhecido como gerontofobia, o qual é representado pela negação da idade, busca excessiva por procedimentos estéticos, pavor de perder a independência, a utilidade social ou a beleza padrão.
Daí surgem os aconselhamentos de como lidar com a situação. Geralmente aconselham encarar a maturidade como ganho de tempo de vida e sabedoria; buscar terapia para trabalhar o medo da finitude e do envelhecimento; ou, cuidar da saúde física e mental focando no bem-estar, e não em padrões de eterna juventude.
No meu entendimento, a principal mazela da velhice consiste na decadência da saúde mental, porque o equilíbrio emocional é a muleta que dará suporte ao desgaste físico do restante do corpo.
Como me constrange ver velhos amigos, professores, pessoas que admirávamos por suas personalidades e inteligências, atingidos pelos males da velhice, sobretudo pela falta das funções cognitivas.
Nem todos estão preparados psicologicamente para o choque da transformação física que advém da velhice, de uma enfermidade incurável como o mal de Alzheimer ou do enfrentamento ante males terminais. Daí tentarem soluções radicais como o suicídio.
Várias figuras públicas e intelectuais de destaque mundial e nacional optaram pelo suicídio assistido ou pela morte voluntária regulamentada em países onde a prática é legalizada, como na Suíça. Existe uma diferença entre eutanásia e suicídio assistido: no primeiro caso um médico administra a substância letal; no segundo, o paciente ingere o medicamento por conta própria.
No Brasil, o suicídio assistido é considerado crime; a religião também impede tal prática no mundo católico, caso contrário seria corriqueiro observarmos, sem questionamentos, mortes desse tipo entre nós.
Seguindo a caminho natural da existência entenderemos que a velhice é inegociável e dela nada se leva. E mais: boa ou ruim, em algum momento teremos que enfrentá-la. Caso contrário é se resignar e agir como preconizou Gabriel Garcia Marquez: Quando percebi que a única coisa que levamos é aquilo que vivemos, comecei a viver aquilo que quero levar.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil
