FIGURINHA –

No caminho para o kung fu passamos por uma banca de revistas que é o point das trocas de figurinhas do álbum da copa. Corrigindo: de qualquer copa! Todo ano de copa aquele lugar bomba.

Sempre diminuo um pouco a velocidade do carro para olhar com mais calma. Tem gente de todas as idades e tribos. Algumas tendas montadas, algumas cadeiras ou bancos disponíveis. Um monte de gente em pé. Sempre cheio, independente do horário que passo.

Acho isso fenomenal. Me atrai mais que o próprio álbum a ideia de pessoas tão diferentes se unirem em volta de um mesmo propósito, mesmo que o propósito seja trocar figurinhas de jogadores que não foram convocados em sua totalidade.

Isso não te soa engraçado?

A mim, sim.

Nos shoppings também tem lugares de trocas, mas, de fora, não parecem ter a mesma vibe.

Nessa banca, exposta aos ventos e intempéries, parece tudo mais visceral. Não sei explicar.

Como se fosse a troca de figurinhas raiz, daquelas que gritamos “vi primeiro” ou “pago $5”.

Soube que tem figurinhas sendo vendidas a $500. Me parece tão absurdo isso…

$500 é um feira semanal boa para uma família de 4 pessoas, não é verdade?

Aí, me lembrei que eu nunca (NUNCA!) completei um álbum na minha vida. Parei para me perguntar se teria coragem de pagar esse valor só para ter o gosto de dizer: COMPLETO.

Acho que não…

Talvez porque minhas prioridades sejam outras…

Talvez por não ser fã enlouquecida de futebol…

Talvez por ver esse valor como algo insano para ser pago em uma figurinha…

Enfim, percebo que me alegro muito em olhar o movimento de trocas, sorrir vendo as pessoas conquistarem seus jogadores faltosos ou faltantes, ver os pais se engajarem nesse momento com seus filhos menores.

E isso me basta!

Pelo menos nesse momento…

Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, autora de “O diário de uma gordinha” e Escritora

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