No entanto, a família e a defesa afirmam que houve um erro de identificação e que o verdadeiro autor do crime, irmão dele, já confessou o homicídio e segue solto.
A Inter TV procurou o Tribunal de Justiça de São Paulo para comentar o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Segundo familiares, Cícero Silva de Araújo, o homem que acabou preso por engano, trabalhou mais de 30 anos como auxiliar de serviços gerais no mesmo local e mora desde a infância no bairro Bom Pastor, na Zona Oeste de Natal. A família afirma ainda que ele nunca saiu do Nordeste e não possui antecedentes criminais.
A prisão aconteceu após o cumprimento de um mandado expedido pela Justiça de São Paulo.
“Meu pai nunca foi em São Paulo na vida dele. Ele mora no mesmo endereço desde que nasceu, sempre trabalhou aqui e criou sete filhos. Mesmo assim, está preso por um crime que não cometeu”, afirmou a filha dele, a agente cultural Joyce Oliveira.
De acordo com a família, documentos, fotografias e registros de trabalho foram apresentados para comprovar que ele estava no Rio Grande do Norte à época do crime.
A defesa afirma que o irmão do homem preso usava os documentos dele em São Paulo nos anos 1990. Segundo a advogada da família, Débora Gurgel, o homem registrou a perda dos documentos na época, mas o irmão continuou usando a documentação.
“Assim que ele percebeu que havia perdido os documentos, registrou boletim de ocorrência e tirou novos documentos. Mas o irmão continuou usando a identidade dele em São Paulo, inclusive para trabalhar”, afirmou a advogada.
Ainda segundo a defesa, anos atrás o homem já havia sido chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso e, na ocasião, conseguiu comprovar que não era o autor do crime.
Apesar disso, a prisão foi decretada novamente neste ano.
A advogada informou que ingressou com pedidos de relaxamento da prisão e habeas corpus, mas que até esta segunda-feira (18) a Justiça paulista ainda não havia apreciado os pedidos.
“O verdadeiro autor confessou o crime espontaneamente e está em liberdade. Enquanto isso, um homem inocente segue preso”, disse.
Segundo a família, o homem foi transferido da triagem para uma penitenciária em Parnamirim, o que aumentou a preocupação dos parentes. Eles afirmam que ele é pessoa com deficiência, passou recentemente por uma cirurgia nas pernas e necessita de medicamentos e fisioterapia.
“Desde que ele foi detido, a gente não conseguiu ter contato direto. Só a advogada consegue vê-lo rapidamente. Nossa mãe passa mal todos os dias e a família está desesperada”, contou outra filha dele, que é enfermeira.
A família informou que já procurou a Justiça e o Ministério Público do Rio Grande do Norte, mas não conseguiu providências para liberação do homem.
Fonte: G1RN
