O dia 7 de janeiro de 2025 foi decisivo na carreira de Daniela da Silva, então chefe de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil. Naquele dia, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, publicou o vídeo que anunciava o fim dos programas de moderação e checagem de conteúdo nas plataformas da companhia (dona do aplicativo de mensagens e também de Facebook, Instagram e Threads), em um claro alinhamento com a volta de Donald Trump à Casa Branca.

Foi o capítulo final de Daniela na companhia, que decidiu sair e expressar publicamente sua discordância com o antigo chefe.

Pouco mais de um ano depois, a executiva quer que outros funcionários de big techs no Brasil tenham um canal para expressar descontentamentos e apontar arbitrariedades e até ilegalidades cometidas pelas gigantes da tecnologia. Ela se juntou à jornalista Tatiana Dias e ao advogado Luã Cruz para criar a ONG Ctrl+Z, que pretende enfrentar o poder dessas empresas.

Entre as ferramentas da organização está uma plataforma de denúncia anônima, que estreia na próxima terça-feira (28), para que usuários e, principalmente funcionários, possam expor com segurança as práticas dessas companhias.

A esperança dela é que desse projeto surja uma versão nacional de Frances Haugen, a ex-executiva da Meta que se tornou uma delatora junto a autoridades americanas ao tornar público os Facebook Papers, uma série de documentos internos que mostravam problemas graves e dilemas éticos na operação da empresa de Zuckerberg. Parte dessas denúncias foram usadas na condenação recente da Meta nos EUA em US$ 375 milhões por ser prejudicial a crianças.

Fonte: O Globo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *