Mapa mostra as temperaturas acima da média da Europa entre 18 e 30 de junho de 2026, durante a onda de calor. — Foto: ERA5. Credit: C3S/ECMWF
Mapa mostra as temperaturas acima da média da Europa entre 18 e 30 de junho de 2026, durante a onda de calor. — Foto: ERA5. Credit: C3S/ECMWF

Junho de 2026 foi o junho mais quente já registrado na Europa Ocidental e o segundo mais quente em todo o planeta, mostram dados divulgados pelo observatório europeu Copernicus nesta quinta-feira (09).

O calor recorde também atingiu os oceanos: a temperatura da superfície do mar chegou ao maior nível já registrado para um mês de junho, o que ajudou a intensificar as ondas de calor sobre o continente.

Na região, a temperatura média foi de 20,74°C, 3,05°C acima da média histórica para o mês (1991-2020), superando o recorde anterior, estabelecido em junho de 2025.

Já considerando todo o continente europeu, a média foi de 19,14°C, 1,78°C acima do esperado — o segundo maior valor da série histórica, atrás apenas de junho de 2019.

 

➡️ Ainda de acordo com o observatório, a temperatura média do ar no mundo foi de 16,54°C, 0,56°C acima da média histórica para o mês (1991–2020), ficando atrás apenas de junho de 2024.

O valor representa 1,39°C acima da média estimada para o período pré-industrial (1850-1900).

“Junho de 2026 evidenciou o quanto o clima está mudando profundamente”, afirmou Samantha Burgess, líder de Estratégia Climática do ECMWF, centro que coordena os dados do Copernicus.

Em junho, a onda de calor que atingiu grande parte da Europa levou as temperaturas a níveis recordes em vários países.

O episódio ocorreu poucas semanas depois de outro período de calor intenso, registrado em maio, e foi seguido por uma nova sequência de altas temperaturas no início de julho.

Ao longo do mês, foram superados recordes de junho e, em alguns locais, as maiores temperaturas máximas diárias de toda a série histórica.

O calor extremo também provocou impactos graves à saúde, com registros de mortes associadas às altas temperaturas.

O calor também veio acompanhado de seca generalizada, que, somada às altas temperaturas, favoreceu a atividade de incêndios florestais, principalmente na Península Ibérica e no sul da França.

Segundo o Copernicus, a sequência de episódios reforça o avanço de ondas de calor mais frequentes e intensas na Europa e em outras partes do mundo.

“A Europa Ocidental registrou seu junho mais quente já observado, com recordes contínuos de calor no oceano global. Juntos, esses recordes refletem um sistema climático que continua acumulando calor”, acrescentou Burgess.

 

“O resultado são ondas de calor cada vez mais intensas, um oceano persistentemente quente e riscos crescentes para pessoas, ecossistemas e infraestrutura na Europa e além”.

Oceanos também bateram recorde de calor em junho

O calor recorde também atingiu os oceanos. Em junho, a temperatura média da superfície dos oceanos, excluindo as regiões polares, chegou a 20,86°C, o maior valor já registrado para o mês. A marca superou em 0,01°C o recorde anterior, observado em junho de 2024.

Segundo o Copernicus, parte desse aquecimento está relacionada ao desenvolvimento do El Niño no Pacífico equatorial.

 ENTENDA: O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial. Ele altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta e costuma contribuir para a elevação da temperatura média global.

As temperaturas permaneceram excepcionalmente elevadas em grande parte do Pacífico tropical, área acompanhada de perto pelos cientistas por sua influência sobre o clima global.

E de acordo com o observatório, as condições associadas ao El Niño devem ganhar força rapidamente nos próximos meses.

O fenômeno costuma contribuir para a elevação da temperatura média do planeta. Isso ocorre porque os oceanos, responsáveis por absorver grande parte do excesso de calor provocado pelo efeito estufa, liberam mais energia para a atmosfera durante episódios de El Niño.

Por esse motivo, anos sob influência do fenômeno tendem a apresentar temperaturas mais altas e maior ocorrência de recordes.

Foi o que aconteceu em 2023 e 2024, os dois anos mais quentes já registrados. Naquele período, cientistas já alertavam que a combinação entre o El Niño e o aquecimento global poderia ampliar a intensidade dos extremos de calor.

O El Niño, no entanto, explica apenas parte desse aquecimento. Por trás dos sucessivos recordes está uma tendência de longo prazo: o aumento da temperatura do planeta provocado pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera desde a Revolução Industrial.

O El Niño é um fenômeno natural e cíclico, geralmente com duração de um a dois anos. Já o aquecimento global é contínuo e causado principalmente pelas atividades humanas.

A combinação dos dois fatores eleva ainda mais as temperaturas, mas os dados mostram que até mesmo anos sem El Niño têm se tornado mais quentes do que muitos períodos influenciados pelo fenômeno no passado.

Fonte: G1

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