EU SOU PAI –

Li em algum lugar a reflexão transcrita a seguir que traduz, na íntegra, o meu sentimento quanto à paternidade:

“Ser pai não é dar ao filho o que ele quer, mas sim o que ele necessita para encontrar o próprio caminho. Ser pai não é apenas estar presente quando o filho precisa, mas também ausentar-se quando ele não necessita. Ser pai não é querer o filho para si, mas saber dividi-lo com quem ele prefere conviver.”

Ser pai é uma dádiva que a natureza concede ao homem pela simples condição de perpetuação da espécie, mas que se transforma num privilégio que somente homens dispostos a amar alguém mais do que a si mesmo adquirem. É proteger, cuidar, ensinar o tempo todo. É compreender o verdadeiro sentido do amor. É ver desabrochar o orgulho de haver dado vida a uma parte de si mesmo.

Por isso, quando o ciclo natural da existência se inverte ocasionando o desaparecimento prematuro do filho, o sofrimento do pai assume proporções inimagináveis. Tal sentimento, quem melhor o expressou foi o empresário Abílio Diniz ante a morte recente de seu herdeiro: “Eu nunca pensei que pudesse existir uma dor tão grande e terrível na vida como essa que estou sentindo.”

Tamanha amargura, rogo a Deus não me imputar no restante de minha existência. Presenciei o sofrimento de meus pais quando da morte de nossa irmã, a caçula dos seis filhos. O golpe foi tão profundo que em pouco menos de dois anos, ambos sucumbiram ante o peso doloroso da tristeza e, também, partiram deste mundo.

Não está sendo fácil desempenhar o papel de pai na atualidade. Confesso que eu não saberia como proceder perante os desafios do mundo moderno. Decerto, os métodos que apliquei na criação de meus filhos não seriam de todo adequáveis, talvez, até condenáveis diante de vozes comuns que pregam: “Os tempos são outros!”.

No meu caso, se pairar alguma dúvida nas avaliações que faço quanto ao modelo utilizado na criação dos rebentos, basta observar o resultado primoroso do produto obtido para o meu desencargo de consciência. Então agradeço aos céus!

O papel das redes sociais é, em parte, danoso para a criação dos filhos em razão da capacidade de viciar superior à do tabaco ou do álcool. Steve Jobs, não deixava que seus filhos tivessem muito contato com a extraordinária tecnologia na qual atrelou o seu nome – limitava o tempo de uso deles. Daí o porquê da necessidade de restringir o uso das maquininhas, problema esse que aqueles de minha geração não enfrentaram.

Ser pai é sempre uma experiência mágica. Ainda mais se for pela primeira vez. Todos os filhos são amados de maneira idêntica, mas a intensidade do primeiro nascimento contém algo diferente. Um misto de admiração, receio, responsabilidade e amor. Ser pai pela primeira vez é algo que todo homem sonha e teme ao mesmo tempo. Trata-se da extraordinária sensação advinda da iniciação pelo mundo da paternidade.

Eu sou pai! Como pai, entendo não dever cobrar de meus filhos nada em troca do que fiz por eles, porquanto, nunca fui cobrado por meu pai acerca do muito de benefícios e exemplos que ele me proporcionou na vida. Todavia, eu me daria por satisfeito de lhes deixar como herança, apenas aquela boa lembrança na memória deles.

Aos meus parceiros na paternidade, feliz Dia dos Pais.

 

 

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa Engenheiro civil

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