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A prisioneira Christa Pike está em estado crítico de saúde no Tennessee, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (2), após sua execução fracassar.
Internada no hospital, sua condição atual é o extremo oposto de como ela estava se sentindo logo antes de sua execução. Ela disse estar em paz que deixava o mundo com amor, segundo a agência de notícias Associated Press (AP), que estava entre as testemunhas do procedimento na prisão.
“Estou pronta para ser livre. Hoje é um dia feliz”, disse Pike em sua declaração final, quando já estava amarrada a uma maca.
No entanto, o que se sucedeu nas próximas horas foi uma sequência de procedimentos que não levaram à sua morte, causou inquietude entre os presentes e fez com que o caso de Pike ganhasse repercussão por todo os EUA e pelo mundo.
Após levar duas injeções de pentobarital, ela continuou respirando, falou, disse que seu braço estava doendo e, quando já estava inconsciente, fez sons semelhantes a roncos e ficou ofegante.
Veja abaixo a cronologia completa de como foi a tentativa frustrada de sua execução.
Seu estado de saúde não havia sido atualizado nesta sexta-feira até a última atualização desta reportagem.
O governador do Tennessee, Bill Lee, disse estar “profundamente desapontado” porque a intenção era realizar a execução sem incidentes. Ele ordenou a abertura de uma investigação independente sobre o caso.
Pike foi condenada à morte por torturar e matar Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Ela tinha 18 anos à época. Caso sua execução tivesse se concretizado, Pike, agora com 50 anos, teria sido a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
Todos os horários nesta reportagem estarão no horário local para deixar a cronologia dos fatos e a situação na prisão o mais fidedigno possível. Para converter para o fuso de Brasília, basta adicionar duas horas.
Pike já estava amarrada à maca, com um acesso intravenoso inserido no braço, quando agentes penitenciários abriram a cortina da sala de execução às 19h27.
Sua execução começou por volta das 19h30, logo após sua declaração final. Seu conselheiro espiritual estava ao lado da maca, próximo à cabeça dela. Ele falou com ela. Eles cantaram uma música. Não era possível ouvir a letra, mas ela incluía a repetição da frase — “Eu amo você”. O conselheiro espiritual passou a mão na testa dela.
Os minutos se passaram. Ela levantou a cabeça e olhou ao redor; sorriu. Em seguida, disse que seu braço estava doendo e perguntou a um agente penitenciário presente na sala se era para sentir aquilo.
Às 19h37, ela suspirou. As autoridades penitenciárias não confirmaram o que isso significa, mas a colocação pareceu coincidir com uma orientação do protocolo que determina que, depois da administração dos medicamentos, começa uma contagem regressiva de cinco minutos até o fechamento da cortina.
Às 19h41, uma pedra ou peso de papel do tamanho aproximado de uma bola de golfe foi colocado sobre uma mureta que separa a sala onde Pike estava da câmara de execução, por onde o acesso intravenoso era abastecido.
Às 19h46, os agentes fecharam a cortina, bloqueando a visão dos presentes na sala de testemunhas para a câmara de execução. O conselheiro espiritual de Pike deixou a câmara e sentou-se brevemente com o advogado dela na sala destinada às testemunhas da imprensa.
Três minutos depois, às 19h49, a cortina foi aberta novamente. O conselheiro espiritual voltou à câmara e ficou ao lado dela.
Em determinado momento, Pike pareceu começar a perder a consciência e passou a emitir um som semelhante a roncos. Ela continuou fazendo isso durante a hora seguinte —um sinal de que estava viva muito depois do momento em que se esperava que estivesse morta.
Por volta das 19h56, a cabeça dela se ergueu ligeiramente da maca e virou para o lado. Ela continuou respirando.
Às 20h06, as autoridades fecharam a cortina novamente.
Durante os 40 minutos seguintes, era possível ouvir Pike do outro lado da cortina. Ela parecia estar roncando, com um padrão de respiração rítmico e regular.
Por volta das 20h22, o advogado de Pike, Randy Spivey, exigiu acesso a um telefone para entrar em contato com outros advogados da equipe e logo exigiu que a execução fosse interrompida e que a detenta recebesse atendimento médico para salvar sua vida.
Por volta das 20h50, Spivey obteve a confirmação de que uma ambulância estava a caminho.
Às 20h53, veio o anúncio: “As testemunhas devem deixar a área”. A imprensa foi escoltada para fora, e um porta-voz da prisão disse que não tinha informações a fornecer sobre o que havia acontecido.
Às 21h14, caminhões de bombeiros e ambulâncias chegaram em frente à prisão.
Fonte: G1