A prisão temporária foi cumprida em um condomínio de alto padrão no bairro Emaús, em Parnamirim, na Grande Natal. Além da prisão, os policiais civis cumpriram dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça.
Segundo a corporação, a nova fase é um desdobramento da operação iniciada em junho de 2025, que investiga crimes tributários, fraude patrimonial, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Empresários, influenciadores e contadores foram alvos da primeira fase operação que investiga uma fraude milionária. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões. 53 mandados de busca foram cumpridos. Lancha, motohome, além de carros de luxo foram apreendidos.
Vazamento de informações da operação
De acordo com a Polícia Civil, a análise pericial de aparelhos eletrônicos apreendidos na primeira etapa revelou novos elementos considerados relevantes para a investigação. Entre eles, estão indícios de vazamento de informações sigilosas sobre a própria operação.
Ainda segundo as investigações, há suspeita de que alvos tenham tido acesso antecipado às medidas cautelares antes da deflagração oficial da ação policial.
Os peritos também identificaram indícios de destruição de provas digitais após o suposto vazamento, como a exclusão de mensagens e registros de comunicação. Parte desses dados, no entanto, foi recuperada por meio de perícia técnica.
Com base nas novas evidências, a Polícia Civil solicitou novas medidas cautelares à Justiça, incluindo a prisão temporária de um dos principais investigados.
Os investigadores apontam ainda que, além dos crimes já apurados, surgiram indícios de possíveis delitos contra a administração pública e contra a administração da Justiça.
Fraudes
O grupo investigado é suspeito de fraude bancária, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de veículos no estado. Em março deste ano, o Ministério Público ofereceu denúncia contra 16 pessoas que teriam causado prejuízo estimado de R$ 3,8 milhões a bancos e empresas administradoras de consórcios.
Um casal, segundo o MP, é tido como chefe do esquema. O marido e a mulher respondem individualmente por 65 crimes de falsidade ideológica e 17 crimes de estelionato.
O casal também é tido como responsável por coordenar a criação de dezenas de empresas de fachada para ocultar patrimônio e lesar credores.
“O esquema focava na obtenção de vultosos empréstimos e no financiamento de veículos pesados e de luxo que jamais eram quitados”, informou o MP.
Contador
Um contador é apontado como peça técnica indispensável para a manutenção do esquema. Ele foi denunciado pelo MP por 42 crimes de falsidade ideológica, além de associação criminosa.
Segundo as investigações, ele se utilizava da prerrogativa profissional para forjar documentos societários, inserir dados falsos em sistemas públicos e fabricar faturamentos milionários inexistentes para induzir as instituições financeiras a erro.
Outros núcleos
Outro suspeito funcionava, segundo o MP, como um dos operadores financeiros estratégicos para a circulação de valores ilícitos através de talões de cheques e transferências de empresas de fachada.
Já o núcleo dos “laranjas” era composto por outros suspeitos, que respondem por diversos crimes de falsidade ideológica e estelionato por terem cedido nomes e CPFs para a abertura das empresas e para a aquisição de bens.
Em muitos casos, segundo o MP, eram pessoas de baixa renda que recebiam promessas de recompensa para participar da fraude.
Fonte: G1RN
