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Numa disputa eleitoral tão polarizada, cada voto conta e pode ser decisivo para definir o próximo governante. Não, não se trata do Brasil, que vai às urnas no domingo. O foco aqui é Israel, onde os cidadãos que moram no exterior precisam voltar ao país se quiserem exercer o seu direito de escolher, na terça-feira (27), seu futuro primeiro-ministro.
O voto dos expatriados exige tempo e dinheiro, já que só pode ser presencial e dentro das fronteiras israelenses.
Neste confronto eleitoral acirrado, em que as pesquisas apontam para um empate entre o premiê Benjamin Netanyahu, do Likud, e o opositor Gadi Eisenkot, do Yashar, pelo menos 65 mil eleitores estão dispostos a fazer este sacrifício.
Estima-se que 630 mil israelenses residem fora do país e representam 6% da população.
Voos coordenados pela Aid Coalition, uma organização apartidária e sem fins lucrativos, estão levando os eleitores de volta a Israel apenas para votar, num movimento atípico em relação aos pleitos anteriores.
O êxodo registrado nos últimos anos e o isolamento do país no cenário internacional ajudam a explicar a adesão à iniciativa, que vem atraindo levas de eleitores, desiludidos com o atual governo comandado por Netanyahu e desejosos de mudanças. Estão em jogo 120 cadeiras do Parlamento.
Rotas adicionais foram abertas devido à escassez de assentos disponíveis em voos regulares para Israel, e as passagens se esgotaram rapidamente.
Foi o suficiente para o Likud protestar, alegando interferência dos organizadores no processo eleitoral: o partido tentou, sem sucesso, barrar a iniciativa da entidade.
São eleições cruciais, as primeiras após o massacre de 7 de outubro de 2023 e as guerras em Gaza e contra o Irã. O pleito também é ameaçador para o primeiro-ministro mais longevo de Israel, que soma seis mandatos ao longo de sua trajetória política.
Mais do nunca, a votação de terça-feira equivale a um referendo sobre a liderança de Netanyahu, e os israelenses da diáspora sabem disso.
A alta procura pelo programa Fly&Vote, criado pela Aid Coalition, ultrapassou as expectativas. Apesar dos obstáculos impostos pelas tarifas elevadas e pelas instabilidades nas rotas aéreas, milhares de eleitores priorizaram, neste momento, a escolha sobre o futuro do país.
Fonte: G1RN