Antigamente, as cabines de votação eram fechadas.
Pois bem. Nessas referidas eleições, aconteceu um caso constrangedor e ao mesmo tempo hilário.
Um eleitor que votaria pela primeira vez, muito nervoso, ao entrar na cabine de votação foi acometido de uma enorme cólica intestinal, a chamada dor de barriga “de chicote”. Essa que chega traiçoeiramente, e não há reza forte que a faça recuar. Não há santo que a segure, e as tripas fervem e gritam:
“Ó abre alas, que eu quero passar!!!”
O eleitor tinha comido muita buchada de bode e outras comidas pesadas, na mesa farta oferecida pelo seu candidato a Prefeito.
Suando frio e apavorado com o que lhe pudesse acontecer, inclusive com medo de ser preso, por desrespeito aos candidatos, o eleitor ” debutante” se higienizou com a chapa de votação oficial, que lhe fora entregue pelo mesário, e também com a “cola” que trouxera, e todos os “santinhos” que guardava nos bolsos, todos com a cara dos candidatos.
O fato é que o eleitor ultrapassou o tempo de permanência na cabine de votação, o que chamou a atenção dos fiscais.
O mesário bateu à porta da cabine, chamou o nome do eleitor e disse-lhe que o seu tempo de votação havia se esgotado. Depois de alguns segundos, uma voz cansada respondeu: “Tem gente!” E o eleitor não saiu.
A ênfase do mesário aumentou:
– Senhor José Apolinário da Silva, seu tempo de votação terminou!
Transtornado, o eleitor estreante, ao ouvir alguém chamar seu nome, vestiu-se de qualquer jeito, e saiu da cabine como um raio, deixando-a um horror de fezes e mau-cheiro. Sentiu-se como se estivesse saindo do inferno, sentindo-se a pessoa mais infeliz do mundo.
Retornou à sua casa na zona rural traumatizado, e a lembrança desse dia fatídico nunca saiu da sua mente. Quando escuta a palavra “eleição”, se benze três vezes e faz figa.
Violante Pimentel – Escritora
