As manifestações que se espalham pelo Brasil começam a apresentar um discurso que extrapola a simples crítica ao aumento das tarifas de ônibus. Elas vão inclusive além das questões meramente políticas e partidárias. Talvez seja a ponta do iceberg de indignação de uma grande quantidade da população, que cansou de esperar por reais melhorias no país. Principalmente na área da educação, da saúde e da infra-estrutura, que não correspondem ao que se deveria esperar, em função do valor alto que se paga no Brasil em impostos diretos e indiretos.
Um manifestante desabafou e disse que, já que o Estado não se tornará menos violento, menos corrupto ou menos repressivo, eles também não acabarão com os protestos. E adiantou que o que leva as pessoas às ruas é um somatório de coisas, inclusive os sobrepreços descarados nas obras da Copa e das Olimpíadas. Para ele, não há muita diferença do que está acontecendo aqui para a Turquia, atualmente. ” Em todo o mundo, o Estado está a serviço do poder econômico, dos lobbies, das máfias. O poder econômico faz o que bem entende e ninguém faz nada. Esse é um fenômeno global, e as pessoas estão cansadas”, disse.
Um dos grandes impulsionadores das manifestações ao redor do mundo, segundo o ativista, é a internet, uma grande ferramenta, no mundo todo. No exterior, brasileiros se mobilizam para atos de apoio em pelo menos 44 cidades, a grande maioria deles marcado para esta terça-feira (dia 18). E ao menos cinco cidades já registraram manifestações: Berlim (Alemanha), Dublin (Irlanda), Montreal (Canadá), Boston (Estados Unidos) e San Diego (EUA).