O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, admitiu, nessa terça-feira (19), que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, logo após a primeira prisão do banqueiro no caso Master. Na época, Vorcaro cumpria medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica.

O senador Flávio Bolsonaro estava reunido com aliados, na sede do PL, em Brasília, durante a manhã de ontem (19), quando o site Metrópoles revelou o encontro na casa do banqueiro. No fim de 2025, Flávio visitou Daniel Vorcaro em São Paulo. A esta altura, as fraudes milionárias do Banco Master já eram de conhecimento público, e Vorcaro, após ter sido solto na primeira fase da Operação Compliance, cumpria medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Ao fim da reunião desta terça-feira (19), cercado por aliados, o senador deu explicações sobre o encontro:

“No dia seguinte em que ele foi preso, nesse momento que nós vimos ali que deu uma virada de chave, nós entendemos melhor que a situação era muito mais grave. E, em função disso, eu trago aqui para vocês, eu falei lá dentro com os deputados, mas já vi que a imprensa já divulgou, que eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico. Ele não poderia sair da cidade de São Paulo, e eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”.

 

Até a semana passada, o senador Flávio Bolsonaro dizia que não tinha nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O partido dele convocou a reunião desta terça-feira (19) depois da revelação pelo site Intercept de áudio e mensagens em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre o pai. Na reunião, o senador disse aos aliados que o relacionamento com o banqueiro foi exclusivamente para pedir dinheiro para o filme de Jair Bolsonaro e afirmou que vai apresentar uma prestação de contas do filme em 30 dias.

Até agora, Flávio Bolsonaro já confirmou que o filme sobre o pai recebeu US$ 12 milhões bancados por Vorcaro. O caso veio à tona na quarta-feira (13). Em um primeiro momento, o senador negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.

Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.

No mesmo dia, depois da publicação das mensagens, o senador reconheceu que Vorcaro estava financiando o filme:

“O que acontece é que, com o passar do tempo, ele simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, o filme sequer ser concluído. Em função disso, inclusive, procuramos outros investidores para concluir esse filme”.

 

No dia seguinte, Flávio alegou que um termo de confidencialidade no contrato do filme o impedia de revelar a relação com o banqueiro e admitiu o envio de recursos de Vorcaro para uma conta do advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, nos Estados Unidos:

“Você tem que contratar um advogado que entenda dessa área e o advogado é um advogado de confiança do Eduardo Bolsonaro”.

Nesta terça-feira (19), o site Intercept Brasil revelou mensagens do deputado federal Mário Frias, do PL, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e produtor executivo do filme, agradecendo a Vorcaro pelo apoio financeiro ao projeto. Em áudio enviado no dia 11 de dezembro de 2024, Mário Frias diz que vai manter Vorcaro informado sobre o andamento do filme:

“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”.

 

Segundo a reportagem, logo após o envio da mensagem, Vorcaro respondeu, dizendo que estava em uma ligação e que retornaria em seguida. Quarenta minutos depois, os dois conversaram em uma ligação de voz, que durou cerca de dois minutos. A reportagem afirma que a conversa ocorreu menos de uma hora depois de um encontro entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, em Brasília, no qual os dois discutiram o financiamento do filme.

dona da Goup Entertainment, produtora responsável pelo filme, Karina Ferreira Gama, afirmou à TV Globo que o filme custou até agora US$ 13 milhões e que Daniel Vorcaro foi o responsável por 90% da verba que viabilizou o projeto. Segundo ela, o banqueiro atuou como intermediador dos recursos.

Fonte: G1

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