DEMOCRACIA –
Margaret Thatcher, a extraordinária estadista do Reino Unido também conhecida como Dama de Ferro, assim conceituou o regime democrático: O papel da democracia não é assegurar que os melhores cheguem ao poder, e sim garantir que os piores não permaneçam nele para sempre.
Muitos dirão que nem sempre isso acontece. Discordo. O pensamento de Thatcher é perfeito. Se algo altera o ditado deve-se apenas à vontade dos votantes livres ou daqueles atrelados a benefícios que auferem pela permanência de seus candidatos no poder.
Ouço bastante desabafos do tipo: “O brasileiro não sabe votar” ou “Cada povo tem o governo que merece”. Existem sim justificativas para abonar tais desafogos. Uma delas é o temor de famílias de baixa renda e em situação de pobreza extrema de perderem as benesses dos diversos programas do governo de transferência de renda, assistência social e serviços gratuitos.
Em estômago vazio não floresce idealismo. Tudo bem! Acontece que a nossa ascendência nos compromete. Uma mistura de filhos do Velho Mundo com indígenas e africanos, onde a garra e o entusiasmo europeus são sufocados pela indolência indígena, resultando em posicionamentos estáticos preferindo deixar as coisas como estão para ver como elas ficam.
Se houvesse empenho dos governantes não conviveríamos com o vergonhoso índice de 19,9% de jovens de 15 a 29 anos sem concluírem a educação básica e não frequentarem a escola. E o que dizer da geração nem-nem? Levantamentos indicam que percentual de 6,2 milhões de jovens, de 18 a 24 anos, não estudam nem trabalham.
Caso o governo instituísse instrução obrigatória de qualidade aos nossos jovens teríamos eleitores que saberiam discernir o certo do errado ou distinguir o bom político daquele mau-caráter, e que jamais trocaria o seu voto por qualquer benesse. Acontece que para aqueles que fazem da política profissão isso não interessa, pois a regra é limitar o horizonte do eleitor para votar sob o cabresto do feitor.
O que aconteceu no último pleito do Brasil foi algo inusitado. Ninguém contava com a vitória de Lula. Todas as pesquisas apontavam para o sucesso da campanha de Flávio Bolsonaro. De repente a guinada aconteceu e fez do atual presidente o primeiro a governar o país por quatro mandatos pelo voto direto.
Para os muitos que ansiavam com a mudança uma grande decepção, para aqueles que concordam com o atual sistema de governo uma vitória enorme. O que fazer? Absolutamente nada a não ser aceitar a vontade soberana das urnas.
Eu entendo que dois mandatos seriam suficientes para a presidência, assim como acho quatro mandatos exagerados. Porém, a maior democracia de planeta já permitiu que Franklin Delano Roosevelt governasse os Estados Unidos da América por quatro mandatos seguidos.
Alardeiam a possibilidade de manipulação de urnas para beneficiar o candidato eleito. De nada adiantará tais insinuações sem a devida constatação. Exaltemos o nosso sistema de governo, pois já experimentamos regimes de exceção e não desejamos retornar àquela terrível experiência.
Deixo aqui um conselho aos mais entusiasmados: sob o calor da emoção nada de radicalização para não nos arrependermos depois perdendo sinceras e estimadas amizades. Viva a democracia!
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil
