Cinco servidores públicos foram afastados das funções nesta quinta-feira (17) durante a Operação Agrado 2, da Polícia Civil do Rio Grande do Norte. A investigação apura suspeitas de pagamento de propina para agilizar procedimentos no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RN), além de possíveis fraudes em documentos e veículos.
Entre os afastados estão quatro servidores do Detran e um policial militar que atua na área de trânsito. Um dos servidores do Detran é advogado e trabalhava no setor jurídico do órgão. O supervisor do Detran em Mossoró também foi afastado.
A operação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em Natal, Mossoró e Fortaleza, no Ceará. Quatro investigados passaram a usar tornozeleira eletrônica e oito foram proibidos de acessar, frequentar ou se aproximar das dependências do Detran-RN. Não houve mandados de prisão.
Segundo a polícia, a investigação aponta que servidores recebiam propina para facilitar e adiantar procedimentos dentro do Detran. A apuração também reúne indícios de falsificação de documentos, incluindo Certificados de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLVs) e Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs).
Os policiais apreenderam computadores dos servidores na sede do Detran e celulares e documentos nas residências dos investigados. Segundo a Polícia Civil, parte dos documentos apreendidos apresenta indícios de adulteração.
Investigação começou em 2025
A Operação Agrado 2 é a segunda fase de uma investigação iniciada em julho de 2025. Na primeira etapa, a Polícia Civil investigou principalmente a atuação de despachantes e determinou medidas contra pessoas que atuavam nesse segmento.
Nesta segunda fase, o foco passou a ser os servidores públicos. O caso tramita na Vara de Organizações Criminosas, porque a investigação apura, entre outros crimes, possível organização criminosa.
Também são investigadas suspeitas de corrupção ativa e passiva, falsificação documental e lavagem de dinheiro.
A Delegacia Especializada na Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov) participou da investigação por causa de possíveis irregularidades envolvendo veículos adulterados.
De acordo com o delegado, a apuração começou a reunir informações depois que veículos com placas falsas ou chassis adulterados tiveram procedimentos de regularização aprovados pelo Detran.
A partir desses casos, os investigadores passaram a verificar como os veículos estavam conseguindo avançar nos procedimentos internos e chegaram às suspeitas de pagamento de propina a servidores.
A Polícia Civil informou que a análise dos celulares, computadores e documentos apreendidos nesta quinta-feira deve indicar se outras pessoas participaram do esquema e se houve outras irregularidades.
Fonte: G1RN
