NARCELIO

José Narcelio Marques Sousa 

Falar da importância da família no contexto social está em baixa. Não dá Ibope. Sequer resiste a uma modesta crônica, pois basta o título para desestimular a leitura. Afirmar que a família é a célula fundamental da sociedade, que delineia a personalidade de seus membros e que apregoa o respeito a valores essenciais para o bom convívio entre as pessoas, isso caiu em desuso. Ou, como diríamos nos anos 60, é cafona. Démodé!

Percebe-se, na atualidade, o evidente desgaste da unidade familiar. A importância do papel social da família como agente agregador, mediador e de sustentação das ações éticas e morais na comunidade está esquecido. Relegado a um plano inferior ou simplesmente desconsiderado. E não deve nem pode ser assim. O individualismo dos pais na ânsia de crescer na vida superando as próprias limitações, atrelado à motivação consumista decorrente da tão almejada ascensão social e econômica conseguiu desgastar a unidade familiar. A velocidade conferida a essa maratona interminável em sua insaciável busca do poder, do ter e do prazer, subtraiu dos pais o tempo antes reservado à família.

Por sua vez, a esposa buscando assegurar o lugar que lhe é de direito reservado na sociedade, ao alcançar a promoção profissional e financeira foi se afastando aos poucos e cada vez por mais tempo do comando do lar na ausência do marido. Tal façanha resumiu o período antes dedicado ao ensinamento dos valores básicos necessários à vida em família, que somente os pais sabem ministrar.

Mas, o que dizer da desagregação de lares nas classes menos favorecidas? Nesse ambiente constatamos o esfacelamento do relacionamento familiar motivado pelo fator econômico. Sequelas comportamentais são o saldo imputado aos filhos, decorrente da ausência materna na casa, quando a mulher se propõe a trabalhar, e ajudar no orçamento familiar deixando-os ao Deus dará. Aos cuidados da rua e de suas mazelas. O fato de ser pobre não distorce caráter de ninguém. A influência prolongada advinda da má companhia, essa sim, traz um efeito devastador esteja o objeto trabalhado posicionado em qualquer estágio da escala social.

A importância dos meios de comunicação na formação moral e psicológica dos jovens é indiscutível. Mas, que magnífica grade curricular é extraída da programação da televisão aberta. As novelas são pródigas quando a orientação é exaltar o desmoronamento da estabilidade familiar. O jovem, procurando moldar a personalidade encontra na televisão, várias formas de procedimentos distorcidos, sem nenhum esforço e aboletado, confortavelmente, na poltrona da sala de estar no regalo abençoado do lar. E não serão justificativas do tipo “façam o que eu digo, mas não façam o que eu mostro”, que minimizarão os efeitos deletérios quando os exemplos de perversão trabalhados nos roteiros das novelas superam os modelos de bons propósitos que tentam transmitir.

Ao insistirmos na tecla de que a preservação da família é responsabilidade do governo, da sociedade, de todos nós, estamos tentando fazer chover no molhado. Na verdade o responsável maior pela unidade familiar é a própria família. Se um jovem casal a caminho do matrimônio solicitasse meu conselho de como melhor congregar sua família, eu não hesitaria em afirmar: “Direcione todos do seu lar para a religião. Não importa que religião professe. Os ensinamentos extraídos da religiosidade orientam os membros da família para a prática do bem e da solidariedade, condição essencial para a harmonia entre as pessoas e para a humanização social”.

 José Narcelio Marques Sousa é engenheiro civil e escritor. [email protected]

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