FEITO CONVERSA DE BOTEQUIM – José Delfino

FEITO CONVERSA DE BOTEQUIM – Faz muito tempo. Eu e ele saímos da Casa da Ribeira após o show. Fomos colocar a conversa em dia, lá para as bandas de Ponta Negra. O restaurante estava vazio. Apareceu um amigo em comum e a conversa foi longe. Após ter dado notícia da musa Afonsina, seus carinhos […]

REPETIR NÃO CUSTA NADA – José Delfino

REPETIR NÃO CUSTA NADA – Nesses tempos de escrita mínima, leitura rápida e superficial, e de olhar de veneração em massa para “selfies ” melhor parar e refletir, talvez: “Beijo, carinho, atenção (essas coisas…) são detalhes que se externam de inúmeras formas. Saber, eis o segredo. Perceber, eis a questão”. Na minha cabeça a assertiva […]

DE “CARTAS ESQUECIDAS” – José Delfino

DE “CARTAS ESQUECIDAS” – No dia 3 de Dezembro de 1965 recebi um livro de presente de Manoel Neto. À época a galera vivia doida pra saber quem diabo era na realidade o autor; um cara que escrevia crônicas semanais para um jornal de São Paulo, então transformadas em livro. Os textos eram elaborados em […]

DE NATAL, EM NATAL – José Delfino

DE NATAL, EM NATAL – Ano bizarro, esse. Nunca perdi tantos amigos em tão pouco tempo. Mas, enfim, chegou dezembro, o mês do Natal. Os presentes, essas acomodações de sonhos e orçamentos, estarão escondidos em embrulhos coloridos. Os paroxismos de confraternizações e bondade soltos por pouco tempo, também. Bolas ocas de acrílico em diversas tonalidades, […]

DA NECESSIDADE DO HÁBITO – José Delfino

DA NECESSIDADE DO HÁBITO – Falta de assunto dá nisso. Já ouviram falar na regra das dez mil horas? Ela nos dá conta que para qualquer pessoa adquirir domínio técnico no que for, necessário se faz a repetição diuturna. Até a exaustão, de preferência. Significa dizer, do ponto de vista teórico, que se você quiser, […]

DE HEGEMONIA – José Delfino

DE HEGEMONIA – Uma nova ordem mundial se avizinha. A história nos dá conta que o poder bélico, como forma de dissuasão pelo medo, sempre se impõe desde que o mundo é mundo. E numa forma cruel de retroalimentação, poder econômico e influência geopolítica continuam em união estável. Entretanto, olhar as relações internacionais, em função […]

DE FORTUITOS ENCONTROS – José Delfino

DE FORTUITOS ENCONTROS – Afinal, cada dia é outro. As horas, também. E ninguém tão exato como elas. E as coincidências, surpresas e repetições sublimes. Para uns, nem tanto. Para mim, muitas vezes. É que elas sempre me perseguem. Naquele ano a ditadura corria solta. Tinha sido assinado o acordo nuclear Brasil-Alemanha para a construção […]

DE ANALOGIA – José Delfino

DE ANALOGIA – Viver nesta parte do mundo onde eu vivo é algo aprazível e incomum. A felicidade e o infortúnio convivem com a monotonia das horas. A primavera, o verão, o outono e o inverno, avassaladores em suas peculiares características, parecem direcionar e atrapalhar um tanto o tempo. Na ausência das estações “comme il […]

DE GEORGE – José Delfino

DE GEORGE – De um certo modo, ele estabeleceu a evidência que o jazz americano poderia não ser necessariamente negro. E que os rabinos nas sinagogas e os ciganos nômades estariam mais perto dele do que seja quem for na África. Ele, um judeu, de repente afeito por força da sua religião a um certo […]

DE JOÃO – José Delfino

DE JOÃO – Ele foi um artista ímpar. Como intérprete, me pareceria ser o mais singular entre todos por essas bandas. Modificava compassos, destruía andamentos. Truncava as letras das músicas. Repetia muito o repertório, mas nunca se repetia. Ao violão, sua ideia de harmonia nunca era a mesma. Nenhum clamor rítmico, nenhuma vocalidade extrema. Os […]

DIVAGANDO – José Delfino

DIVAGANDO – Dizer o que se pensa é sempre um risco. Quando alguém me indaga se sou feliz, uso sempre a mesma máscara. Digo que sim. Afinal, não vem muito a propósito as pessoas se declararem infelizes. Mas sempre se segue aquele impacto, um tanto reflexo. Da falta de hesitação ao me expor tão falsamente […]

DE TRAUMA DE INFÂNCIA – José Delfino

DE TRAUMA DE INFÂNCIA – Quando criança, sempre que eu aprontava algo fora do esperado, mamãe e vovó repetiam. Da próxima vez vou chamar a mãe d’água, pra te levar. Eu morria de medo. Eu não sabia e elas nunca me diziam quem era ela. Criei a certeza absoluta que ela habitava o Maranhão. Cresci […]

DE VIAGEM – José Delfino

DE VIAGEM – Já pensaram num país onde as pessoas quando se encontram, ao invés de apertarem as mãos, abaixam suas cabeças? Que encaram a prática do auto-controle como religião? Que, por pura disciplina e educação, são ordeiros, respeitam filas e prestam atenção a tudo? E ouvem, mais do que falam ? Pois é, existe. […]

DOS ESPINHOS DO ISOLAMENTO – José Delfino

DOS ESPINHOS DO ISOLAMENTO – E eu aqui procurando administrar minha angústia. Abusando de racionalizações. Dos meus parcos e poucos mecanismos de defesa. Forçado a me esconder. Alternando, todo santo dia, todas as minhas máscaras. Afastado à força da multidão que costumava mergulhar deslumbrada em templos. Agora, só. E ela também, solitária nas ruas. Nos […]

DA FORMA DE FALAR E ESCREVER – José Delfino

DA FORMA DE FALAR E ESCREVER – Fumando e pensando aqui sobre um assunto interessante. Os erros de pronúncia. Como um que está sendo veiculado por ora nas redes sociais. Que teria sido cometido pelo Sr. Moro em recente entrevista, ao enunciar de forma errônea o nome próprio “Edith Piaf”, como sendo “Edite Piá”. Não […]

24 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DO DIREITO À VERDADE – José Delfino

24 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DO DIREITO À VERDADE – Vi, dia desses, postada no Facebook uma tirada do escritor e futurologista Alvin Toflin, que diz assim: “Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender”. Fiquei com a pulga atrás […]

DE CAIPORA – José Delfino

DE CAIPORA – É um tanto difícil falar da essência de cada paixão. Discorrer sobre ela e seus desencontros é uma jornada de regresso feliz não muito assegurado. Daí eu pensar que mais vale a pena cultivar outras artes. Apesar de todas elas serem apaixonantes. Como a arte do olhar, por exemplo. Nela economizam-se palavras, […]

DE CARONA NO CORONA – José Delfino

DE CARONA NO CORONA – Estava vendo um comentário de Alexandre Garcia. Em meio a explanação ele saiu com esta “pérola”: “… e agora esta vacina que vai estar disponível no país, que funciona 50% pra uns e para a outra metade, não…”. Feita uma pausa de efeito, proposital, ele exibiu aquele ar de desesperança, […]

JILÓ – José Delfino

JILÓ – Escolher a maneira de dizer o que se pensa é um risco calculado. Escrever, então, um artesanato complicado. Quando alguém me indaga se sou feliz, e isso acontece vez ou outra, invariavelmente digo que sim; pois não vem muito a propósito a gente se declarar infeliz. Não é mesmo? Só depois é que […]

A RAPOSA E AS UVAS – José Delfino

A RAPOSA E AS UVAS – A ingestão de bebidas alcoólicas , por prazer , é um hábito milenar. O Velho Testamento é bastante compreensivo quanto a isso na medida em que só cita , mas não faz qualquer juízo de valor dos porres de Noé , por exemplo. “ Noé cultivou a terra e […]