A cor da água que vem chegando pelas torneiras chama a atenção e provoca dúvidas sobre a qualidade para consumo. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) contabiliza que cerca de 30% da população das zonas sul, leste e oeste da cidade, cerca de 120 mil pessoas, estão passando pelo mesmo problema. “As chuvas transportaram todo o material que é deixado nas margens do rio ao longo do ano. Resto de construção e todo tipo de descarte é colocado nas cabeceiras do rio. Quando as chuvas quando chegam seguem o curso natural e arrastam tudo para o manancial, chegando até a Lagoa do Jiqui”, explica o diretor de qualidade e meio ambiente da Caern, Afonso Holanda.
A cor e o cheiro, em alguns casos, é provocado por uma coloração provenientes de folhas mortas e misturado a areia que é jogada indevidamente no rio. O processo de captação da água, explica Holanda, não tem como ser controlado. “Ninguém sabe quando chega a lama dentro da estação. Temos uma estação de tratamento de água. E quando chega esse material é preciso algum tempo para recuperar e fazer um trabalho de limpeza no sistema”, reforça. O gerente da Caern explica que a companhia já investiu R$ 180 mil pra recuperar seis dos oito filtros de água existentes na estação de tratamento de águas. A expectativa é que a limpeza dos equipamentos seja concluída até amanhã.
Ainda vai ser necessário algum tempo para que a água que está chegando amarelada nas casas de Natal volte a sua cor normal. Segundo Holanda é preciso que ela seja consumida e dê lugar a água nova. O gerente da Caern afirma que a água em questão não oferece nenhum risco ao consumidor. O motivo é que com a força da água chegando ao manancial, há um aumento nas partículas em suspensão presente na Lagoa, que se desprendem do solo e acabam por interferir na cor. Porém, Isabella Leandro esclarece que a água passa por um rigoroso processo de tratamento na ETA, antes de chegar aos domicílios e demais empreendimentos.