APOLOGIA AO V –
Eu gostaria de iniciar este texto falando da veemente derrota do Brasil no jogo contra a Dinamarca. Uma apresentação vulgar, desprovida do costumeiro vigor e valentia do nosso escrete, implicando na saída da cidade de East Rutherford, no estado de Nova Jersey, tomados de vergonha pelo resultado vexatório.
Que a verdade seja dita. Todos os elogios são bem-vindos ao adversário que venceu a ausência de virilidade da nossa seleção canarinho, sem que nela vislumbrássemos quaisquer sinais de valentia e de versatilidade no embate que se esperava repleto de virtuosismo.
É lamentável admitir, mas o que vimos naquele confronto foi a ausência de viço, virtude essa vigente nas cinco vezes que vencemos a taça Jules Rimet, hoje oficialmente venerada como Troféu da Copa do Mundo da FIFA.
Vinte e quatro anos vividos desde a última visão da vitória do Brasil no certame em gramados do continente asiático. A varonil seleção de ontem perdeu a velocidade e o volume de jogo e se enredou nas variações de passes viciados que desvirtuaram o escrete brasileiro e o tornou invisível ante os olhos vívidos dos amantes do futebol arte.
As variadas manifestações dos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol tentarão justificar a desclassificação da seleção, culpando estratégias em voga nos torneios de tal envergadura. Atentemos para a vigilante atuação do ministro André Mendonça, cuja voz reverberou no plenário do STF, quando questionou: Suportará a CBF uma investigação?
Ainda não foi desta vez que, em coro, esperávamos soltar a voz e cantar, novamente, o estribilho que seria a vontade da nação: A Taça do Mundo é nossa/Com brasileiro, não há quem possa/Eita esquadrão de ouro/É bom no samba, é bom no couro. Vixe!
Vencidos eis-nos aqui de volta à velha vida de sempre e a venalidade do caso Vorcaro, eivado de vícios e da vívida vulnerabilidade ante a veracidade dos fatos. Tudo isso às vésperas de eleições gerais, quando candidatos a diferentes cargos na república nos machucarão os tímpanos com a veemência das verborreias vertidas ao longo de suas campanhas.
Vigilantes quanto aos descaminhos do país, embora sem meios de interferir na vontade de gestores públicos, resta-nos encarar a velocidade dos variados desmandos visíveis, mediante a única arma de que dispomos: o voto de indignação.
Em voga ainda permanece a máxima vigilante que nos induz a acreditar que A esperança é a última a morrer. E como carecemos de tal sentimento para confiarmos no futuro do país, vergado sob a constante ameaça de maus dirigentes sem escrúpulos nem senso de brasilidade.
Como última vontade, resgato aqui a visão do famoso escritor norte-americano, Mark Twain, um defensor convicto da justiça social: A política é a única profissão em que se pode mentir, enganar e roubar e, ainda assim, ser respeitado.
Concluo essa apologia, afirmando: Viver no Brasil sem ser venal é uma vitória da verdade contra a variedade de vícios que invadiu a vida de seus viventes ante o poder do vil metal.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil
