A MISSÃO DE TODOS NÓS: AMAR –
“E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?… Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros… Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:15-17)
Os Evangelhos registram duas pescas extraordinárias que, embora semelhantes, revelam momentos distintos da caminhada espiritual dos discípulos.
Na primeira, no início do ministério de Jesus, Pedro e seus companheiros haviam trabalhado durante toda a noite sem nada apanhar. Então, Cristo sobe ao barco de Pedro, ensina as multidões e, ao terminar, ordena que lancem novamente as redes em águas mais profundas. Mesmo sem compreender plenamente quem era aquele Homem, Pedro obedece. O resultado é uma pesca tão abundante que outro barco precisa vir em auxílio. Diante daquele sinal, Pedro reconhece sua própria indignidade, e Jesus lhe anuncia sua verdadeira vocação: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens.”
A segunda pesca acontece depois da ressurreição. Novamente, os discípulos atravessam uma noite inteira de esforço inútil. Ao amanhecer, Jesus está na praia, mas eles não o reconhecem imediatamente. O Ressuscitado conserva o mesmo amor, a mesma voz e o mesmo poder, mas agora manifesta a glória daquele que venceu a morte.
Então Jesus pergunta:
“Filhos, tendes alguma coisa para comer?”
A resposta é a mesma da primeira ocasião: não.
Cristo lhes ordena que lancem a rede do lado direito do barco. Eles obedecem, e a rede se enche com cento e cinquenta e três grandes peixes, sem, contudo, se romper. A abundância da pesca não exalta a habilidade dos pescadores, mas a suficiência da graça de Deus, que supre plenamente aqueles que aprendem a depender de sua Palavra.
É João quem primeiro reconhece o Senhor e diz: “É o Senhor!” Então Pedro lança-se ao mar, envergonhado da sua nudez, ou de sua pequenez diante de Cristo.
Os relatos das aparições do Ressuscitado mostram que seu corpo glorificado já não era percebido apenas pelos sentidos naturais. Assim aconteceu com Maria Madalena junto ao túmulo; com os dois discípulos no caminho de Emaús; e agora, às margens do lago de Tiberíades. O reconhecimento pleno nasce quando os olhos da fé são iluminados pela ação de Deus. A presença do Senhor é discernida muito mais pelo coração transformado do que pela simples visão dos olhos.
Ao chegarem à praia, encontram Jesus junto a um fogo de brasas, com pão e peixe preparados. O Senhor, que havia multiplicado pães para as multidões, agora serve pessoalmente seus discípulos cansados. Antes de lhes confiar qualquer missão, alimenta-os. Assim é Cristo: primeiro oferece sua graça; depois confia o serviço.
Terminada a refeição, Jesus dirige-se a Pedro.
Por três vezes pergunta:
“Simão, filho de Jonas, amas-me?”
A repetição não pretende constranger Pedro, mas restaurá-lo. Três vezes Pedro negara conhecer seu Mestre diante de um fogo de brasas; agora, diante de outro fogo, três vezes lhe é concedida a oportunidade de confessar seu amor. Onde abundou a fraqueza, superabundou a graça.
Mas Jesus não procura apenas ouvir uma declaração de afeto. Ele revela uma verdade fundamental do Evangelho: o amor por Cristo nunca termina em Cristo; ele necessariamente se derrama sobre aqueles que pertencem a Cristo.
Por isso, a cada resposta de Pedro, vem a mesma ordem:
“Apascenta os meus cordeiros.”
“Apascenta as minhas ovelhas.”
As ovelhas continuam sendo de Cristo, não de Pedro. O pastor é apenas servo daquele que é o Supremo Pastor. Amar Jesus significa cuidar daqueles que Ele ama; servir aos irmãos; fortalecer os fracos; acolher os que caem; ensinar a verdade; exercer a misericórdia; alimentar o povo de Deus com sua Palavra e conduzir todos a conhecer a Cristo, a conhecer a si mesmo.
Esta continua sendo a missão de todos nós em todos os tempos.
As três perguntas dirigidas a Pedro ecoam também em cada coração cristão.
“Tu me amas?”
A resposta verdadeira não é demonstrada apenas pelos lábios, mas pela vida. Quem ama a Cristo guarda os seus mandamentos (João 14:15); quem permanece em seu amor ama também seus irmãos (1 João 4:20-21). O amor ao próximo não substitui o amor a Deus, nem o amor a Deus dispensa o amor ao próximo. Ambos são inseparáveis, pois procedem da mesma Fonte.
Por isso, quando um escriba perguntou qual era o maior mandamento, Jesus respondeu:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. Este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Toda a vida cristã se resume nesse amor que nasce em Deus, transforma o coração humano e alcança todas as pessoas.
Que cada um de nós responda diariamente ao chamado do Senhor, não apenas com palavras, mas com uma existência inteiramente consagrada ao serviço do Reino.
Amemos a Deus acima de todas as coisas.
Amemos uns aos outros como Cristo nos amou.
E vivamos, todos os dias, a perfeita lei do amor.
Amém!
Arca da Sagrada Aliança – Movimento Cristão
