A FORMIGUINHA E O DESTINO DO BRASIL –

Certa vez, uma formiguinha, movida pela curiosidade, deixou seu formigueiro e partiu pelos caminhos do Brasil. Queria conhecer sua gente e compreender o que orientava os eleitores na escolha dos destinos da nação. Durante meses, percorreu estados, sertões e cidades. Encontrou cidadãos conscientes de suas escolhas, mas também aqueles intimidados pelo poder, seduzidos pelo dinheiro ou submetidos às imposições da pobreza.

Ela, que conhecia o valor de uma migalha, entristeceu-se ao perceber que, para muitos, a necessidade de hoje comprometia a liberdade de escolher o amanhã. No dia da eleição, acomodou-se discretamente sobre uma urna eletrônica, observando o instante em que cada eleitor se encontrava a sós com sua consciência. E ficou estarrecida!

Ricos e pobres, instruídos e iletrados, jovens e idosos passavam diante dela. Uns votavam por convicção; outros apenas reproduziam, nas teclas da urna, as verdades e mentiras difundidas pelos candidatos.

Percebeu, então, que nem sempre o voto expressava aquilo que o eleitor pensava, mas, muitas vezes, aquilo que lhe haviam feito acreditar. E descobriu que a lucidez não era privilégio dos instruídos, nem a ignorância, exclusividade dos humildes.

Encerrada a votação, desceu da urna, inquieta com o que presenciara. Mas, ao recordar sua própria espécie, reencontrou a esperança: as formigas, embora pequenas, realizam grandes obras pela persistência e pela união. Compreendeu que o destino de uma nação não se esgota numa eleição, nem pertence exclusivamente aos governantes, mas depende também da consciência de seu povo.

Ao regressar ao formigueiro, murmurou: “Os homens passam, os governos passam, as promessas se desfazem… Mas a esperança de um povo precisa permanecer.”

E descansou tranquila, guardando uma certeza acima de todos os desencantos: Um dia, quando a consciência prevalecer sobre o medo, a verdade sobre a mentira e o bem comum sobre os interesses particulares, o Brasil haverá de triunfar!

E, antes que alguém pergunte quem era aquela pequena criatura, desfaço o mistério: eu sou a formiguinha!

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Eleitor Brasileiro

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