A CALÇADA – 

Todos os dias de Kung Fu fazemos o mesmo caminho. Ida e volta. Rotina…

Na ida, o trânsito é leve, rápido. Na volta, um pouco de engarrafamento, com cansaço e suor. Mas… Mas, há uma coisa que sempre me chama atenção na volta. Um grupo!

Sim, todos os dias vemos um grupo sentado na calçada. São quatro  mulheres e dois homens, às vezes, três. Cada um na sua cadeirinha. Um cachorro algumas vezes faz parte. Gatos de rua circundam o grupo como se fizessem parte. Não tenho certeza de suas participações.

Mas, as pessoas…

Algumas de cabelos grisalhos, outras de cabelos pintados. Roupas simples. Sorrisos fartos. Sempre que passamos eles estão em uma posição atenta. Todos um pouco curvados para a frente olhando uns para os outros enquanto a conversa vagueia. Olham uns para os outros! Quão raro isso é!

Lembro de minha infância em Ponta Negra em um tempo onde à noite as cadeiras nas calçadas  eram comuns. Não havia medo da insegurança. Nem celular para nos afastar. A conversa era cara a cara. As risadas não eram “kkkk” ou “rsrsrs”. Eram reais! Lindamente reais.

Crianças corriam atrás de bolas ou se escondendo entre muros e árvores. Adultos conversando animadamente. E, no mês de junho, tínhamos a alegria de ainda termos fogueiras e milhos assados. E, com um pouco mais de sorte, bandeirinhas ligando os postes.

Desculpa a honestidade, mas sinto inveja desse grupo sempre que o vejo.

Digo ao nosso filho e ele se assusta com isso. Inveja de um grupo de amigos sentados na calçada ao fim da tarde?

Sim, inveja.

Coisas que vivemos e que ainda fazem eco em nós…

 

 

Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, Autora de “O diário de uma gordinha” e Escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores

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