Negociações tentam blindar equipe econômica

Citado como possível candidatos à Presidência da República no caso de renúncia do presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, manteve ontem várias conversas com investidores, gestores e analistas nacionais e estrangeiros, na tentativa de tranquilizá-los de que a equipe continua trabalhando “normalmente” e que a direção da política econômica permanece a mesma. O furacão da crise pegou o País no início do processo de retomada econômica no primeiro trimestre do ano e a equipe quer garantir que não haja retrocessos.

Qualquer que seja o desfecho da crise política deflagrada pelas acusações contra o presidente Michel Temer, segundo apurou o Estadão/Broadcast, a estratégia agora é blindar o núcleo da equipe econômica para evitar uma desorganização ainda maior da economia com riscos de ruptura. O tema foi ponto central das reuniões que aconteceram ontem na área econômica e nas conversas com políticos e representantes do setor produtivo.

O recado transmitido por Meirelles aos representantes do mercado financeiro é de que a gestão econômica continua “firme e serena”. Nas conversas com os investidores e empresários, Meirelles também transmitiu a avaliação de que vai continuar trabalhando para a aprovação das reformas. O ministro afirmou a interlocutores que acredita no “voto de racionalidade” dos parlamentares porque os partidos estão preocupados com a governabilidade e a situação econômica. Meirelles vai procurar os parlamentares para alinhavar o encaminhamento dos projetos no Congresso.

No entanto, também há um receio de que as denúncias atinjam o próprio ministro da Fazenda, que já atuou no conselho de administração da J&F, holding da JBS. Oficialmente, o ministro não se pronunciou nesta quinta. O governo trabalha para administrar um período de grande instabilidade nos próximas dias e semanas. Meirelles e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, acertaram uma ação conjunta para tentar controlar a volatilidade que visa assegurar a liquidez no mercado.

Fonte: IstoéDinheiro e O Estado de S. Paulo.

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